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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

EU ME ARREPENDO DO PECADO DE ACREDITAR EM POLÍTICA PARTIDÁRIA (Atualizado)

 


Desejo começar este artigo com um mea-culpa. Uma declaração inicial para estabelecer o pressuposto básico de que já fui alguém empolgado com a política partidária. Sei que muitos que estão lendo este artigo agora irão se identificar, pois fizeram a mesma coisa. Mas, como só posso falar por mim mesmo, não afirmo que aquilo que vou declarar seja uma doutrina bíblica. É minha impressão profunda e sincera ao ler os textos bíblicos diante dos acontecimentos históricos e políticos do Brasil.

Minha conclusão pessoal é que a política partidária brasileira se distanciou profundamente de princípios que considero essenciais à democracia e à ética cristã. Por isso, cheguei a uma postura apartidária. Não estou dizendo que cristão não possa fazer política, participar da sociedade, discutir políticas públicas ou ocupar legitimamente funções públicas. Política faz parte da vida em sociedade. Minha crítica neste ensaio é à política partidária, especialmente quando ela captura a Igreja, transforma púlpito em palanque, pastor em cabo eleitoral e irmão em adversário porque votou no sujeito errado.

Meu arrependimento vem também de ter acreditado, pela via normal — o voto —, nos dois lados que hoje polarizam o país. Fiz campanha, colei adesivo no carro, discuti política nas redes sociais e perdi amigos por causa disso. Votei tanto em um lado como no outro. E confesso que meu sentimento é de ter perdido meu tempo.

E, antes que você possa me julgar em relação ao processo eleitoral brasileiro, saiba que está lendo as linhas de um cidadão que foi mesário (otário?!?) por 12 anos, em seis eleições seguidas. Conheci por dentro as urnas eletrônicas e o trabalho dos tribunais e cartórios eleitorais.

Bem, minha convicção se sustenta em alguns pontos que enumero a seguir.

1 — PORQUE A MENTIRA SE TORNOU UMA FERRAMENTA RECORRENTE DA POLÍTICA PARTIDÁRIA

“Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí vem do Maligno.” (Mateus 5:37)

“E engana cada um a seu próximo, e nunca fala a verdade; ensinaram a sua língua a falar a mentira; andam-se cansando em praticar a iniquidade.” (Jeremias 9:5)

Políticos prometem, prometem e prometem. E nós, muitas vezes, fingimos acreditar. Quando o político é o nosso preferido, explicamos que “não foi bem assim”, que “ele tentou”, que “não deixaram governar”, que “o Congresso atrapalhou”. Quando é o político do outro lado, desaparece toda a nossa capacidade de produzir justificativas: “Mentiroso! Corrupto! Safado!”

É impressionante como a tolerância cristã com a mentira pode variar de acordo com o número que digitamos na urna.

E não faltam episódios documentados de governos que adotaram, depois da eleição, medidas diferentes daquelas defendidas durante a campanha. Mudam-se políticas, impostos, benefícios, regras trabalhistas e discursos. Algumas mudanças podem ter explicações econômicas ou legislativas legítimas; outras expõem contradições políticas evidentes. O problema cristão começa quando deixamos de avaliar a verdade ou a falsidade de uma afirmação e passamos a avaliá-la pela cor da bandeira de quem falou.

O político “deles” mente. O “nosso” apenas mudou de estratégia.

Interessante.

Muitos dirão que a solução é votar no político certo, trocar os corruptos e eleger pessoas melhores. Evidentemente, instituições democráticas dependem de cidadãos e agentes públicos melhores. Minha desilusão é outra: depois de décadas assistindo a escândalos, fisiologismo, corrupção, promessas abandonadas e alianças que seriam “impossíveis” até o dia em que se tornam convenientes, passei a desconfiar não apenas das pessoas, mas da cultura política que o sistema produz.

E, segundo a Palavra de Deus, a mentira não deixa de ser mentira porque foi pronunciada num palanque.

 

 

2 — PORQUE A REPRESENTATIVIDADE PARTIDÁRIA TEM PROBLEMAS QUE O ELEITOR PRECISA CONHECER

“Filho meu, se os pecadores te quiserem seduzir, não consintas... (Provérbios 1:10-16)

O sistema político brasileiro é representativo. Nas eleições para deputados federais, estaduais, distritais e vereadores utiliza-se o sistema proporcional. Em linhas gerais, não basta simplesmente fazer uma lista nacional ou estadual dos candidatos mais votados e entregar as cadeiras aos primeiros colocados.

Os votos dados nominalmente aos candidatos também integram a votação de seu partido ou federação. Calcula-se o chamado quociente eleitoral, relacionando os votos válidos e o número de cadeiras em disputa. Depois entra em cena o quociente partidário, além das regras de distribuição das vagas remanescentes.

Nas eleições proporcionais, não existem mais coligações partidárias. A disputa ocorre por partidos ou federações partidárias. Além disso, a legislação estabelece uma votação nominal mínima para determinadas vagas: para ocupar as cadeiras conquistadas pelo quociente partidário, o candidato precisa alcançar pelo menos 10% do quociente eleitoral.

Portanto, aquele velho fenômeno do “puxador de votos” não funciona mais exatamente como funcionava no passado.

Mas ele também não desapareceu magicamente.

Um candidato extraordinariamente votado continua fortalecendo a votação de seu partido ou federação e pode contribuir para a obtenção de outras cadeiras pela legenda. Assim, quem vota em “A” não está contribuindo eleitoralmente apenas para “A”; seu voto também integra a votação partidária e pode colaborar para a eleição de “B”, pertencente à mesma legenda.

Historicamente tivemos exemplos extremos. Em 2002, Enéas Carneiro recebeu uma votação extraordinária para deputado federal por São Paulo e sua votação contribuiu para a eleição de outros candidatos de sua legenda, inclusive candidatos com votações minúsculas. As regras posteriormente mudaram justamente para limitar situações desse tipo. Portanto, não seria correto dizer que hoje alguém com algumas centenas de votos poderia simplesmente repetir aquele episódio.

Mas a característica essencial permanece: no sistema proporcional, voto nominal e votação partidária estão ligados.

O problema se agrava quando partidos possuem identidade programática pouco clara, mudam de alianças com enorme facilidade e candidatos que ontem se acusavam de representar tudo o que havia de errado na República descobrem, depois da eleição, que sempre tiveram extraordinária afinidade.

É quase um milagre da democracia brasileira: inimigos irreconciliáveis em outubro descobrem uma profunda comunhão de propósitos em janeiro.

3 — PORQUE A POLÍTICA PARTIDÁRIA DEIXA MUITAS VEZES DE PARECER SERVIÇO E PASSA A PARECER CARREIRA

“Aquele que anda corretamente e fala o que é reto, que recusa o lucro injusto, cuja mão não aceita suborno...”
(Isaías 33:15-16)

“Assim diz o Soberano Senhor: Vocês já foram muito longe, ó príncipes de Israel!... Usem balanças honestas...”
(Ezequiel 45:9-10)

Em 2026, um deputado federal recebe subsídio mensal de R$ 46.366,19. Mas aqui precisamos distinguir remuneração pessoal da estrutura financeira colocada à disposição do mandato.

Cada deputado dispõe de uma verba de gabinete com limite mensal de R$ 165.806,07, destinada ao pagamento de até 25 secretários parlamentares. Os assessores são indicados diretamente pelos deputados. Encargos como 13º salário, férias e auxílio-alimentação desses funcionários são pagos separadamente pela Câmara. Existe ainda a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar — CEAP —, destinada às despesas do mandato, além de imóvel funcional ou, preenchidos os requisitos, auxílio-moradia.

Não estou dizendo que o parlamentar pode colocar todo esse dinheiro no bolso. Não pode. São recursos sujeitos a regras, finalidade pública e fiscalização.

Estou dizendo outra coisa: observe o tamanho da estrutura financeira movimentada em torno de um único mandato.

É muito dinheiro público.

E justamente porque estamos falando de dinheiro público, qualquer denúncia envolvendo funcionários fantasmas, utilização indevida de assessores ou os conhecidos esquemas de “rachadinha” deve ser investigada com rigor, independentemente do partido do envolvido. Dinheiro público não é extensão da carteira do parlamentar.

Na teoria, representantes eleitos deveriam servir à população. Na prática, frequentemente assistimos à profissionalização da atividade política e à formação de estruturas que parecem existir tanto para preservar o próprio poder quanto para representar o cidadão.

Um contraste interessante aparece na Suécia. Os membros do Parlamento sueco recebem remuneração relevante — portanto não são voluntários franciscanos vivendo de pão e água —, mas a própria instituição os define não como empregados do Parlamento, e sim como pessoas que receberam uma incumbência dos eleitores. Parlamentares que residem a mais de 50 quilômetros de Estocolmo podem utilizar acomodações funcionais básicas, e as regras oficiais contemplam viagens entre Estocolmo e seu local de residência. Parte do trabalho parlamentar também ocorre nas respectivas regiões e bases eleitorais.

A diferença de mentalidade merece reflexão: mandato como privilégio ou mandato como incumbência?

Se a remuneração dos políticos brasileiros fosse reduzida drasticamente, quantos candidatos continuariam disputando ferozmente essas vagas?

Não tenho como provar a resposta.

Mas tenho minhas suspeitas.

POSICIONAMENTO POLÍTICO

Quero ainda responder algumas questões levantadas no meio cristão em relação ao posicionamento político. Tenho visto pastores, teólogos e cristãos afirmarem que precisamos nos posicionar partidariamente para preservar a liberdade religiosa no Brasil, sob pena de perseguição, fechamento de igrejas e perda do direito de adorar livremente.

Quero lembrar aos meus leitores aquilo que considero fundamental nesse debate.

1 — A AUTORIDADE POLÍTICA NÃO É MAIOR QUE A AUTORIDADE DE CRISTO

“Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima.” (João 19:11)

Toda autoridade existente nesta terra está limitada. Nenhum presidente, governador, prefeito, juiz ou parlamentar possui autoridade absoluta.

Romanos 13 ensina o cristão a respeitar as autoridades e apresenta o governo civil como instrumento de ordem e justiça. Mas a mesma Bíblia registra os apóstolos dizendo:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5:29)

Em um Estado sério e democrático, cidadãos cumprem as leis, pagam seus impostos, respeitam as instituições e vivem pacificamente. Igreja e Estado podem perfeitamente — usando uma expressão bem brasileira — cada um ficar no seu quadrado.

Isso não significa imaginar ingenuamente que autoridades nunca cometerão injustiças. A própria história cristã prova o contrário. O limite aparece quando o Estado exige do cristão aquilo que afronta sua consciência e sua fidelidade à Palavra de Deus.

Como instituição, a igreja deve obedecer às leis e cumprir suas obrigações. Como Igreja, porém, possui uma missão que não recebeu de presidente, partido, Congresso ou tribunal.

Se as autoridades políticas desejarem colaborar para que exista liberdade, justiça e bem comum, muito bem.

Se não, a missão da Igreja é maior.

2 — A MISSÃO DA IGREJA É MUITO MAIOR QUE A POLÍTICA PARTIDÁRIA

Uma igreja local ou denominação que transforme em objetivo institucional colocar seus próprios candidatos em cargos políticos corre o risco de trocar sua missão por um projeto de poder.

E quando, em ano eleitoral, o púlpito começa a receber candidato atrás de candidato, o culto se transforma em vitrine eleitoral e o rebanho passa a ser tratado como contingente de votos, alguma coisa saiu perigosamente do lugar.

Existem episódios documentados que tornam essa preocupação muito menos teórica. Em reportagem sobre declarações do pastor José Wellington Bezerra da Costa, então importante liderança das Assembleias de Deus, foi descrita uma dinâmica na qual pastores atuavam aproximando prefeitos de parlamentares responsáveis por emendas, ao mesmo tempo em que se defendia a eleição de candidatos ligados à denominação. O próprio pastor posteriormente afirmou que fazia essa aproximação, mas negou troca de favores ou irregularidades.

Isso precisa ser dito com justiça: intermediar uma demanda legítima de um município não prova corrupção.

Mas também me permitam fazer uma pergunta.

Desde quando pastor precisa virar despachante de verba pública?

A Igreja deve erguer a voz pelos necessitados diante do poder público. Deve cobrar saneamento, escola, saúde, segurança, proteção aos vulneráveis e justiça. Outra coisa é transformar pastor em intermediário eleitoral, púlpito em palanque e rebanho em curral eleitoral.

Quando o político precisa do pastor para chegar ao eleitor e o prefeito precisa do pastor para chegar ao político, alguma coisa está perigosamente embolada.

E colocar uma Bíblia debaixo do braço não desembola.

A Grande Comissão é bastante clara:

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações...” (Mateus 28:19)

E:

“Receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas...”
(Atos 1:8)

Na Grande Comissão não existe ordem para a Igreja conquistar cargos públicos, formar partidos ou transformar poder político em parte de sua missão. Jesus mandou fazer discípulos, não cabos eleitorais. Mandou ensinar sua Palavra, não distribuir santinhos.

Isso não significa que um cristão não possa ocupar legitimamente um cargo público. Significa que a missão da Igreja não pode ser reduzida a um projeto eleitoral.

A política pode produzir boas leis. Pode melhorar escolas, hospitais, segurança, saneamento e infraestrutura.

Mas nenhum partido é o Reino de Deus.

3 — PESSOAS EM POSIÇÃO DE AUTORIDADE SÃO APENAS PESSOAS — NÃO “UNGIDOS” OU “ENDEMONIADOS” POLÍTICOS

Existe uma tendência perigosa no evangelicalismo político: se determinado governante é “o nosso”, foi levantado por Deus. Se é o adversário, foi levantado pelas trevas.

Pergunto: quem recebeu procuração celestial para fazer essa classificação?

Esse raciocínio pode ser chamado, em sentido figurado, de maniqueísta.

Historicamente, o maniqueísmo foi uma religião fundada por Mani no século III d.C., marcada por forte dualismo entre luz e trevas. Hoje usamos “maniqueísmo” também em sentido figurado para descrever aquela visão simplista em que nós somos o Bem absoluto e os outros representam o Mal absoluto.

E como isso combina com a política brasileira!

Leia Isaías 45:

“Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro...”

Ciro era um rei persa pagão. Foi conquistador e construiu um enorme império, embora também seja conhecido por políticas relativamente tolerantes em relação a alguns povos conquistados e suas religiões.

E Deus o chama de “ungido”.

Calma.

Isso não transformou Ciro em pastor, teólogo, defensor oficial do Reino de Deus ou candidato escolhido pelo céu.

Deus utilizou Ciro para determinado propósito histórico.

Ser usado por Deus não significa receber de Deus um cheque em branco.

Essa distinção faria muito bem à igreja brasileira.

Estar no poder por permissão divina não significa possuir aprovação divina para cada decisão tomada. Governantes continuam moralmente responsáveis por seus atos e também estão sujeitos ao juízo de Deus.

4 — VALORES E PRINCÍPIOS TÊM COMO FONTE A PESSOA DE DEUS, NÃO UMA IDEOLOGIA POLÍTICA

Existem valores e princípios bíblicos que atravessam as fronteiras ideológicas que criamos.

E aqui mora outra incoerência da política partidária: cada lado costuma enxergar com extraordinária nitidez os pecados do adversário e desenvolver uma conveniente miopia para os seus próprios.

Setores da direita enfatizam corretamente temas como proteção da vida, liberdade religiosa, liberdade de expressão, propriedade e responsabilidade individual, mas podem demonstrar muito menos entusiasmo quando a conversa chega à desigualdade, exploração do trabalhador, pobreza extrema e condições indignas de vida.

Setores da esquerda denunciam desigualdade, pobreza, precarização do trabalho, falta de moradia e ausência de saneamento, mas podem defender posições profundamente controversas entre cristãos quando o assunto envolve aborto, liberdade religiosa, propriedade ou limites da atuação estatal.

A discussão pública sobre esses temas é legítima, e cristãos sinceros podem discordar sobre quais políticas concretas melhor realizam determinados princípios.

Mas existe uma coisa que considero inaceitável:

rasgar metade da Bíblia para caber inteiro dentro da cartilha do partido.

O político cristão, se existir enquanto político, deveria trabalhar para todos os cidadãos — cristãos, ateus, espíritas, católicos, evangélicos, muçulmanos, ricos, pobres, quem votou nele e quem jamais votaria.

Caso contrário, não temos representação pública.

Temos corporativismo religioso.

E escritório político começa a parecer balcão de pedidos em vez de plataforma de políticas públicas.

O sertão e o semiárido nordestino, por exemplo, convivem historicamente com períodos severos de seca. Evidentemente existem causas climáticas naturais. Mas os efeitos sociais da seca também se relacionam à pobreza, infraestrutura, políticas hídricas, administração pública e desigualdades históricas. Houve avanços e grandes obras públicas, mas isso não elimina a responsabilidade permanente dos governos.

E a Igreja?

Também precisamos olhar para dentro.

Já em 2013, uma reportagem da Forbes, amplamente repercutida pela imprensa brasileira, publicou estimativas de patrimônios extraordinários atribuídos a conhecidos líderes evangélicos brasileiros — em alguns casos chegando a centenas de milhões de reais e, no maior caso estimado, à casa do bilhão. Alguns dos citados contestaram os valores.

Portanto, sejamos justos: patrimônio estimado não é salário pastoral; dinheiro de uma igreja não é automaticamente patrimônio de seu pastor; riqueza, por si só, não prova crime ou irregularidade.

Dito isso...

bilhão é bilhão.

E considero impossível falar de cristianismo, riqueza e poder sem lembrar que, enquanto estruturas religiosas movimentam cifras extraordinárias, ainda existem pessoas com fome, famílias sem moradia e crianças vivendo em condições indignas a poucos quilômetros — às vezes a poucos metros — de enormes templos.

Não estou propondo que a Igreja substitua o Estado.

Estou perguntando se não estamos ocupados demais tentando conquistar Brasília enquanto Jerusalém continua caída diante da nossa porta.

CONCLUSÃO

Encerro este pequeno ensaio com uma reflexão.

A igreja local tem enorme importância para o bem-estar e o desenvolvimento de uma comunidade. A agenda de Jesus para transformação das pessoas e das comunidades deve ser expressa e modelada através de sua Igreja.

Para isso, em nada precisamos da política partidária.

Cito aqui uma provocação inspirada no livro Se Jesus fosse prefeito, de Bob Moffitt:

O que Jesus faria se fosse prefeito da minha cidade?

O que faria pelos desabrigados e pelas crianças de rua?

O que faria diante do alcoolismo, das drogas e de outros vícios?

Como fortaleceria as famílias?

O que faria por água potável, habitação, alimentação, saúde, esgoto, coleta de lixo e estradas?

O que faria diante de salários injustos e desemprego?

Como cuidaria das crianças, enfermos e idosos?

O que faria diante do crime e dos conflitos?

Como trataria ricos e pobres?

O que faria diante da corrupção e do suborno?

Como ajudaria cidadãos a avaliar problemas e tomar decisões justas?

Pensar no que Jesus faria é um bom exercício de imaginação.

Melhor ainda seria trocar o nome dele pelo nosso e começar a agir como se fôssemos Ele aqui na Terra.

Peraí...

Mas é isso que a Igreja é!

O Corpo de Cristo na Terra.

Esqueça a política partidária e entre para o partido de Jesus. Se Ele é o prefeito da cidade, te nomeou secretário dEle.

Vamos agir?

Arregace as mangas e comece a trabalhar no gabinete das ruas e praças, pregando e fazendo o bem, como Ele mesmo fazia neste mundo.

Não é preciso campanha política nem dinheiro do fundão.

Deus já te elegeu — e Ele é o dono do ouro e da prata.

Desligue a TV, esqueça o horário eleitoral gratuito e foque sua atenção no plano de Governo de Deus:

“Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados.” (Provérbios 31:8-9)

FONTES E REFERÊNCIAS

Para os leitores que desejarem conferir os dados históricos, políticos e institucionais mencionados neste artigo, seguem as principais fontes consultadas:

BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Resolução nº 23.677, de 16 de dezembro de 2021, com alterações posteriores. Regulamenta a totalização dos votos, os quocientes eleitoral e partidário e a distribuição das vagas nas eleições proporcionais. Especialmente arts. 8º a 11. Portal do Tribunal Superior Eleitoral.

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE). Conheça as diferenças entre as eleições majoritária e proporcional. Brasília: TSE, 2024. Explica o sistema proporcional brasileiro, votos nominais e partidários, quociente eleitoral, quociente partidário e exigência de votação nominal mínima correspondente a 10% do quociente eleitoral.

CÂMARA DOS DEPUTADOS. Cláusula de barreira atingiu sete candidatos do PSL; partido seria o maior da Câmara. Brasília, 2018. A Câmara registra o caso histórico de Enéas Carneiro, que recebeu aproximadamente 1,57 milhão de votos em 2002 e contribuiu para a eleição de outros cinco candidatos de sua legenda, entre eles Vanderlei Assis, eleito com apenas 275 votos.

CÂMARA DOS DEPUTADOS. Gastos dos deputados federais — Transparência. Brasília, dados consultados em 2026. Fonte oficial para remuneração parlamentar, verba de gabinete, secretários parlamentares, CEAP, imóveis funcionais, auxílio-moradia e viagens oficiais. Em 2026, o subsídio parlamentar informado pela Câmara é de R$ 46.366,19 mensais e o limite mensal da verba de gabinete chega a R$ 165.806,07 para até 25 secretários parlamentares.

SVERIGES RIKSDAG — PARLAMENTO DA SUÉCIA. The members' pay and conditions. Estocolmo. Fonte oficial sobre remuneração e condições de trabalho dos parlamentares suecos. O Parlamento esclarece que seus membros não são empregados do Riksdag, mas possuem uma incumbência recebida dos eleitores, e apresenta as regras referentes a viagens e acomodações parlamentares.

SVERIGES RIKSDAG — PARLAMENTO DA SUÉCIA. The members' overnight accommodation. Atualizado em janeiro de 2026. Detalha o direito a acomodações funcionais para parlamentares cuja residência se encontra a mais de 50 quilômetros do Parlamento, incluindo apartamentos com mobiliário básico e instalações para cozinhar.

VEJA. CASADO, José. “Você quer dinheiro? Só receberá verba por intermédio do pastor”. 11 fev. 2022. A matéria reproduz declarações do pastor José Wellington Bezerra da Costa sobre a atuação de pastores na aproximação entre candidatos, prefeitos e recursos provenientes de emendas parlamentares, bem como seu apelo para a eleição de candidatos ligados à denominação.

FORBES. ANTUNES, Anderson. The Richest Pastors in Brazil. 17 jan. 2013. Reportagem que publicou estimativas de patrimônio de conhecidos líderes evangélicos brasileiros. Os valores apresentados eram estimativas baseadas em informações disponíveis à época e não devem ser confundidos com salários pastorais ou com patrimônio das respectivas igrejas. Alguns dos valores e informações divulgados foram posteriormente contestados por pessoas mencionadas na reportagem.

INFOMONEY. VERONESI, Luiza Belloni. Forbes lista cinco pastores mais ricos do Brasil. 18 jan. 2013. Repercussão brasileira do levantamento da Forbes, incluindo as estimativas, à época, de R$ 1,9 bilhão para Edir Macedo, R$ 440 milhões para Valdemiro Santiago e R$ 300 milhões para Silas Malafaia, entre outros.

FORBES. Edir Macedo & family. Perfil atualizado em março de 2026. A publicação continua apresentando Edir Macedo entre os líderes religiosos de grande patrimônio e registra, entre seus ativos empresariais, participação na Record e no Banco Digimais.

MOFFITT, Bob; TESUNAO, Karla. Se Jesus fosse prefeito: como sua igreja local pode transformar sua comunidade. Obra utilizada como inspiração para as perguntas apresentadas na conclusão deste artigo sobre a atuação da Igreja na transformação de sua comunidade.

Referências bíblicas utilizadas

Mateus 5:37; Jeremias 9:5; Provérbios 1:10–16; Isaías 33:15–16; Ezequiel 45:9–10; João 19:11; Romanos 13:1–7; Atos 5:29; Mateus 28:19; Atos 1:8; Isaías 45; Provérbios 31:8–9.