Desejo começar este artigo com um mea-culpa. Uma declaração inicial para estabelecer o pressuposto básico de que já fui alguém empolgado com a política partidária. Sei que muitos que estão lendo este artigo agora irão se identificar, pois fizeram a mesma coisa. Mas, como só posso falar por mim mesmo, não afirmo que aquilo que vou declarar seja uma doutrina bíblica. É minha impressão profunda e sincera ao ler os textos bíblicos diante dos acontecimentos históricos e políticos do Brasil.
Minha conclusão pessoal é que a
política partidária brasileira se distanciou profundamente de princípios que
considero essenciais à democracia e à ética cristã. Por isso, cheguei a uma
postura apartidária. Não estou dizendo que cristão não possa fazer política,
participar da sociedade, discutir políticas públicas ou ocupar legitimamente
funções públicas. Política faz parte da vida em sociedade. Minha crítica neste
ensaio é à política partidária, especialmente quando ela captura a
Igreja, transforma púlpito em palanque, pastor em cabo eleitoral e irmão em
adversário porque votou no sujeito errado.
Meu arrependimento vem também de
ter acreditado, pela via normal — o voto —, nos dois lados que hoje polarizam o
país. Fiz campanha, colei adesivo no carro, discuti política nas redes sociais
e perdi amigos por causa disso. Votei tanto em um lado como no outro. E
confesso que meu sentimento é de ter perdido meu tempo.
E, antes que você possa me julgar
em relação ao processo eleitoral brasileiro, saiba que está lendo as linhas de
um cidadão que foi mesário (otário?!?) por 12 anos, em seis eleições
seguidas. Conheci por dentro as urnas eletrônicas e o trabalho dos tribunais e
cartórios eleitorais.
Bem, minha convicção se sustenta
em alguns pontos que enumero a seguir.
1 — PORQUE A MENTIRA SE TORNOU
UMA FERRAMENTA RECORRENTE DA POLÍTICA PARTIDÁRIA
“Seja, porém, o vosso falar:
Sim, sim; não, não; pois o que passa daí vem do Maligno.” (Mateus 5:37)
“E engana cada um a seu
próximo, e nunca fala a verdade; ensinaram a sua língua a falar a mentira;
andam-se cansando em praticar a iniquidade.” (Jeremias 9:5)
Políticos prometem, prometem e
prometem. E nós, muitas vezes, fingimos acreditar. Quando o político é o nosso
preferido, explicamos que “não foi bem assim”, que “ele tentou”, que “não
deixaram governar”, que “o Congresso atrapalhou”. Quando é o político do outro
lado, desaparece toda a nossa capacidade de produzir justificativas:
“Mentiroso! Corrupto! Safado!”
É impressionante como a
tolerância cristã com a mentira pode variar de acordo com o número que
digitamos na urna.
E não faltam episódios
documentados de governos que adotaram, depois da eleição, medidas diferentes
daquelas defendidas durante a campanha. Mudam-se políticas, impostos,
benefícios, regras trabalhistas e discursos. Algumas mudanças podem ter
explicações econômicas ou legislativas legítimas; outras expõem contradições
políticas evidentes. O problema cristão começa quando deixamos de avaliar a
verdade ou a falsidade de uma afirmação e passamos a avaliá-la pela cor da
bandeira de quem falou.
O político “deles” mente. O
“nosso” apenas mudou de estratégia.
Interessante.
Muitos dirão que a solução é
votar no político certo, trocar os corruptos e eleger pessoas melhores.
Evidentemente, instituições democráticas dependem de cidadãos e agentes
públicos melhores. Minha desilusão é outra: depois de décadas assistindo a
escândalos, fisiologismo, corrupção, promessas abandonadas e alianças que
seriam “impossíveis” até o dia em que se tornam convenientes, passei a
desconfiar não apenas das pessoas, mas da cultura política que o sistema
produz.
E, segundo a Palavra de Deus, a
mentira não deixa de ser mentira porque foi pronunciada num palanque.
2 — PORQUE A
REPRESENTATIVIDADE PARTIDÁRIA TEM PROBLEMAS QUE O ELEITOR PRECISA CONHECER
“Filho meu, se os pecadores te
quiserem seduzir, não consintas... (Provérbios 1:10-16)
O sistema político brasileiro é
representativo. Nas eleições para deputados federais, estaduais, distritais e
vereadores utiliza-se o sistema proporcional. Em linhas gerais, não
basta simplesmente fazer uma lista nacional ou estadual dos candidatos mais
votados e entregar as cadeiras aos primeiros colocados.
Os votos dados nominalmente aos
candidatos também integram a votação de seu partido ou federação. Calcula-se o
chamado quociente eleitoral, relacionando os votos válidos e o número de
cadeiras em disputa. Depois entra em cena o quociente partidário, além
das regras de distribuição das vagas remanescentes.
Nas eleições proporcionais, não
existem mais coligações partidárias. A disputa ocorre por partidos ou
federações partidárias. Além disso, a legislação estabelece uma votação
nominal mínima para determinadas vagas: para ocupar as cadeiras conquistadas
pelo quociente partidário, o candidato precisa alcançar pelo menos 10% do
quociente eleitoral.
Portanto, aquele velho fenômeno
do “puxador de votos” não funciona mais exatamente como funcionava no passado.
Mas ele também não desapareceu
magicamente.
Um candidato extraordinariamente
votado continua fortalecendo a votação de seu partido ou federação e pode
contribuir para a obtenção de outras cadeiras pela legenda. Assim, quem vota em
“A” não está contribuindo eleitoralmente apenas para “A”; seu voto também
integra a votação partidária e pode colaborar para a eleição de “B”,
pertencente à mesma legenda.
Historicamente tivemos exemplos
extremos. Em 2002, Enéas Carneiro recebeu uma votação extraordinária para
deputado federal por São Paulo e sua votação contribuiu para a eleição de
outros candidatos de sua legenda, inclusive candidatos com votações minúsculas.
As regras posteriormente mudaram justamente para limitar situações desse tipo.
Portanto, não seria correto dizer que hoje alguém com algumas centenas de votos
poderia simplesmente repetir aquele episódio.
Mas a característica essencial
permanece: no sistema proporcional, voto nominal e votação partidária estão
ligados.
O problema se agrava quando
partidos possuem identidade programática pouco clara, mudam de alianças com
enorme facilidade e candidatos que ontem se acusavam de representar tudo o que
havia de errado na República descobrem, depois da eleição, que sempre tiveram
extraordinária afinidade.
É quase um milagre da democracia
brasileira: inimigos irreconciliáveis em outubro descobrem uma profunda
comunhão de propósitos em janeiro.
3 — PORQUE A POLÍTICA
PARTIDÁRIA DEIXA MUITAS VEZES DE PARECER SERVIÇO E PASSA A PARECER CARREIRA
“Aquele que anda corretamente
e fala o que é reto, que recusa o lucro injusto, cuja mão não aceita
suborno...”
(Isaías 33:15-16)
“Assim diz o Soberano Senhor:
Vocês já foram muito longe, ó príncipes de Israel!... Usem balanças
honestas...”
(Ezequiel 45:9-10)
Em 2026, um deputado federal
recebe subsídio mensal de R$ 46.366,19. Mas aqui precisamos distinguir
remuneração pessoal da estrutura financeira colocada à disposição do mandato.
Cada deputado dispõe de uma verba
de gabinete com limite mensal de R$ 165.806,07, destinada ao pagamento de
até 25 secretários parlamentares. Os assessores são indicados diretamente pelos
deputados. Encargos como 13º salário, férias e auxílio-alimentação desses
funcionários são pagos separadamente pela Câmara. Existe ainda a Cota para o
Exercício da Atividade Parlamentar — CEAP —, destinada às despesas do mandato,
além de imóvel funcional ou, preenchidos os requisitos, auxílio-moradia.
Não estou dizendo que o
parlamentar pode colocar todo esse dinheiro no bolso. Não pode. São
recursos sujeitos a regras, finalidade pública e fiscalização.
Estou dizendo outra coisa:
observe o tamanho da estrutura financeira movimentada em torno de um único
mandato.
É muito dinheiro público.
E justamente porque estamos
falando de dinheiro público, qualquer denúncia envolvendo funcionários
fantasmas, utilização indevida de assessores ou os conhecidos esquemas de
“rachadinha” deve ser investigada com rigor, independentemente do partido do
envolvido. Dinheiro público não é extensão da carteira do parlamentar.
Na teoria, representantes eleitos
deveriam servir à população. Na prática, frequentemente assistimos à
profissionalização da atividade política e à formação de estruturas que parecem
existir tanto para preservar o próprio poder quanto para representar o cidadão.
Um contraste interessante aparece
na Suécia. Os membros do Parlamento sueco recebem remuneração relevante —
portanto não são voluntários franciscanos vivendo de pão e água —, mas a
própria instituição os define não como empregados do Parlamento, e sim como
pessoas que receberam uma incumbência dos eleitores. Parlamentares que
residem a mais de 50 quilômetros de Estocolmo podem utilizar acomodações
funcionais básicas, e as regras oficiais contemplam viagens entre Estocolmo e
seu local de residência. Parte do trabalho parlamentar também ocorre nas
respectivas regiões e bases eleitorais.
A diferença de mentalidade merece
reflexão: mandato como privilégio ou mandato como incumbência?
Se a remuneração dos políticos
brasileiros fosse reduzida drasticamente, quantos candidatos continuariam
disputando ferozmente essas vagas?
Não tenho como provar a resposta.
Mas tenho minhas suspeitas.
POSICIONAMENTO POLÍTICO
Quero ainda responder algumas
questões levantadas no meio cristão em relação ao posicionamento político.
Tenho visto pastores, teólogos e cristãos afirmarem que precisamos nos
posicionar partidariamente para preservar a liberdade religiosa no Brasil, sob
pena de perseguição, fechamento de igrejas e perda do direito de adorar
livremente.
Quero lembrar aos meus leitores
aquilo que considero fundamental nesse debate.
1 — A AUTORIDADE POLÍTICA NÃO
É MAIOR QUE A AUTORIDADE DE CRISTO
“Não terias nenhuma autoridade
sobre mim, se esta não te fosse dada de cima.” (João 19:11)
Toda autoridade existente nesta
terra está limitada. Nenhum presidente, governador, prefeito, juiz ou
parlamentar possui autoridade absoluta.
Romanos 13 ensina o cristão a
respeitar as autoridades e apresenta o governo civil como instrumento de ordem
e justiça. Mas a mesma Bíblia registra os apóstolos dizendo:
“Mais importa obedecer a Deus
do que aos homens.” (Atos 5:29)
Em um Estado sério e democrático,
cidadãos cumprem as leis, pagam seus impostos, respeitam as instituições e
vivem pacificamente. Igreja e Estado podem perfeitamente — usando uma expressão
bem brasileira — cada um ficar no seu quadrado.
Isso não significa imaginar
ingenuamente que autoridades nunca cometerão injustiças. A própria história
cristã prova o contrário. O limite aparece quando o Estado exige do cristão
aquilo que afronta sua consciência e sua fidelidade à Palavra de Deus.
Como instituição, a igreja deve
obedecer às leis e cumprir suas obrigações. Como Igreja, porém, possui uma
missão que não recebeu de presidente, partido, Congresso ou tribunal.
Se as autoridades políticas
desejarem colaborar para que exista liberdade, justiça e bem comum, muito bem.
Se não, a missão da Igreja é
maior.
2 — A MISSÃO DA IGREJA É MUITO
MAIOR QUE A POLÍTICA PARTIDÁRIA
Uma igreja local ou denominação
que transforme em objetivo institucional colocar seus próprios candidatos em
cargos políticos corre o risco de trocar sua missão por um projeto de poder.
E quando, em ano eleitoral, o
púlpito começa a receber candidato atrás de candidato, o culto se transforma em
vitrine eleitoral e o rebanho passa a ser tratado como contingente de votos,
alguma coisa saiu perigosamente do lugar.
Existem episódios documentados
que tornam essa preocupação muito menos teórica. Em reportagem sobre
declarações do pastor José Wellington Bezerra da Costa, então importante
liderança das Assembleias de Deus, foi descrita uma dinâmica na qual pastores
atuavam aproximando prefeitos de parlamentares responsáveis por emendas, ao
mesmo tempo em que se defendia a eleição de candidatos ligados à denominação. O
próprio pastor posteriormente afirmou que fazia essa aproximação, mas negou
troca de favores ou irregularidades.
Isso precisa ser dito com
justiça: intermediar uma demanda legítima de um município não prova
corrupção.
Mas também me permitam fazer uma
pergunta.
Desde quando pastor precisa virar
despachante de verba pública?
A Igreja deve erguer a voz pelos
necessitados diante do poder público. Deve cobrar saneamento, escola, saúde,
segurança, proteção aos vulneráveis e justiça. Outra coisa é transformar pastor
em intermediário eleitoral, púlpito em palanque e rebanho em curral eleitoral.
Quando o político precisa do
pastor para chegar ao eleitor e o prefeito precisa do pastor para chegar ao
político, alguma coisa está perigosamente embolada.
E colocar uma Bíblia debaixo do
braço não desembola.
A Grande Comissão é bastante
clara:
“Portanto, vão e façam
discípulos de todas as nações...” (Mateus 28:19)
E:
“Receberão poder quando o
Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas...”
(Atos 1:8)
Na Grande Comissão não existe
ordem para a Igreja conquistar cargos públicos, formar partidos ou transformar
poder político em parte de sua missão. Jesus mandou fazer discípulos, não cabos
eleitorais. Mandou ensinar sua Palavra, não distribuir santinhos.
Isso não significa que um cristão
não possa ocupar legitimamente um cargo público. Significa que a missão da
Igreja não pode ser reduzida a um projeto eleitoral.
A política pode produzir boas
leis. Pode melhorar escolas, hospitais, segurança, saneamento e infraestrutura.
Mas nenhum partido é o Reino de
Deus.
3 — PESSOAS EM POSIÇÃO DE
AUTORIDADE SÃO APENAS PESSOAS — NÃO “UNGIDOS” OU “ENDEMONIADOS” POLÍTICOS
Existe uma tendência perigosa no
evangelicalismo político: se determinado governante é “o nosso”, foi levantado
por Deus. Se é o adversário, foi levantado pelas trevas.
Pergunto: quem recebeu procuração
celestial para fazer essa classificação?
Esse raciocínio pode ser chamado,
em sentido figurado, de maniqueísta.
Historicamente, o maniqueísmo foi
uma religião fundada por Mani no século III d.C., marcada por forte dualismo
entre luz e trevas. Hoje usamos “maniqueísmo” também em sentido figurado para
descrever aquela visão simplista em que nós somos o Bem absoluto e os outros
representam o Mal absoluto.
E como isso combina com a
política brasileira!
Leia Isaías 45:
“Assim diz o Senhor ao seu
ungido, a Ciro...”
Ciro era um rei persa pagão. Foi
conquistador e construiu um enorme império, embora também seja conhecido por
políticas relativamente tolerantes em relação a alguns povos conquistados e
suas religiões.
E Deus o chama de “ungido”.
Calma.
Isso não transformou Ciro em
pastor, teólogo, defensor oficial do Reino de Deus ou candidato escolhido pelo
céu.
Deus utilizou Ciro para
determinado propósito histórico.
Ser usado por Deus não
significa receber de Deus um cheque em branco.
Essa distinção faria muito bem à
igreja brasileira.
Estar no poder por permissão
divina não significa possuir aprovação divina para cada decisão tomada.
Governantes continuam moralmente responsáveis por seus atos e também estão
sujeitos ao juízo de Deus.
4 — VALORES E PRINCÍPIOS TÊM
COMO FONTE A PESSOA DE DEUS, NÃO UMA IDEOLOGIA POLÍTICA
Existem valores e princípios
bíblicos que atravessam as fronteiras ideológicas que criamos.
E aqui mora outra incoerência da
política partidária: cada lado costuma enxergar com extraordinária nitidez os
pecados do adversário e desenvolver uma conveniente miopia para os seus
próprios.
Setores da direita enfatizam
corretamente temas como proteção da vida, liberdade religiosa, liberdade de
expressão, propriedade e responsabilidade individual, mas podem demonstrar
muito menos entusiasmo quando a conversa chega à desigualdade, exploração do
trabalhador, pobreza extrema e condições indignas de vida.
Setores da esquerda denunciam
desigualdade, pobreza, precarização do trabalho, falta de moradia e ausência de
saneamento, mas podem defender posições profundamente controversas entre
cristãos quando o assunto envolve aborto, liberdade religiosa, propriedade ou
limites da atuação estatal.
A discussão pública sobre esses
temas é legítima, e cristãos sinceros podem discordar sobre quais políticas
concretas melhor realizam determinados princípios.
Mas existe uma coisa que
considero inaceitável:
rasgar metade da Bíblia para
caber inteiro dentro da cartilha do partido.
O político cristão, se existir
enquanto político, deveria trabalhar para todos os cidadãos — cristãos, ateus,
espíritas, católicos, evangélicos, muçulmanos, ricos, pobres, quem votou nele e
quem jamais votaria.
Caso contrário, não temos
representação pública.
Temos corporativismo religioso.
E escritório político começa a
parecer balcão de pedidos em vez de plataforma de políticas públicas.
O sertão e o semiárido
nordestino, por exemplo, convivem historicamente com períodos severos de seca.
Evidentemente existem causas climáticas naturais. Mas os efeitos sociais da
seca também se relacionam à pobreza, infraestrutura, políticas hídricas, administração
pública e desigualdades históricas. Houve avanços e grandes obras públicas, mas
isso não elimina a responsabilidade permanente dos governos.
E a Igreja?
Também precisamos olhar para
dentro.
Já em 2013, uma reportagem da Forbes,
amplamente repercutida pela imprensa brasileira, publicou estimativas de
patrimônios extraordinários atribuídos a conhecidos líderes evangélicos
brasileiros — em alguns casos chegando a centenas de milhões de reais e, no
maior caso estimado, à casa do bilhão. Alguns dos citados contestaram os
valores.
Portanto, sejamos justos:
patrimônio estimado não é salário pastoral; dinheiro de uma igreja não é
automaticamente patrimônio de seu pastor; riqueza, por si só, não prova crime
ou irregularidade.
Dito isso...
bilhão é bilhão.
E considero impossível falar de
cristianismo, riqueza e poder sem lembrar que, enquanto estruturas religiosas
movimentam cifras extraordinárias, ainda existem pessoas com fome, famílias sem
moradia e crianças vivendo em condições indignas a poucos quilômetros — às
vezes a poucos metros — de enormes templos.
Não estou propondo que a Igreja
substitua o Estado.
Estou perguntando se não estamos
ocupados demais tentando conquistar Brasília enquanto Jerusalém continua caída
diante da nossa porta.
CONCLUSÃO
Encerro este pequeno ensaio com
uma reflexão.
A igreja local tem enorme
importância para o bem-estar e o desenvolvimento de uma comunidade. A agenda de
Jesus para transformação das pessoas e das comunidades deve ser expressa e
modelada através de sua Igreja.
Para isso, em nada precisamos
da política partidária.
Cito aqui uma provocação
inspirada no livro Se Jesus fosse prefeito, de Bob Moffitt:
O que Jesus faria se fosse
prefeito da minha cidade?
O que faria pelos desabrigados e
pelas crianças de rua?
O que faria diante do alcoolismo,
das drogas e de outros vícios?
Como fortaleceria as famílias?
O que faria por água potável,
habitação, alimentação, saúde, esgoto, coleta de lixo e estradas?
O que faria diante de salários
injustos e desemprego?
Como cuidaria das crianças,
enfermos e idosos?
O que faria diante do crime e dos
conflitos?
Como trataria ricos e pobres?
O que faria diante da corrupção e
do suborno?
Como ajudaria cidadãos a avaliar
problemas e tomar decisões justas?
Pensar no que Jesus faria é um
bom exercício de imaginação.
Melhor ainda seria trocar o nome
dele pelo nosso e começar a agir como se fôssemos Ele aqui na Terra.
Peraí...
Mas é isso que a Igreja é!
O Corpo de Cristo na Terra.
Esqueça a política partidária e
entre para o partido de Jesus. Se Ele é o prefeito da cidade, te nomeou
secretário dEle.
Vamos agir?
Arregace as mangas e comece a
trabalhar no gabinete das ruas e praças, pregando e fazendo o bem, como Ele
mesmo fazia neste mundo.
Não é preciso campanha política
nem dinheiro do fundão.
Deus já te elegeu — e Ele é o
dono do ouro e da prata.
Desligue a TV, esqueça o horário
eleitoral gratuito e foque sua atenção no plano de Governo de Deus:
“Erga a voz em favor dos que
não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e
julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados.” (Provérbios
31:8-9)
FONTES E REFERÊNCIAS
Para os leitores que desejarem
conferir os dados históricos, políticos e institucionais mencionados neste
artigo, seguem as principais fontes consultadas:
BRASIL. Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). Resolução nº 23.677, de 16 de dezembro de 2021, com
alterações posteriores. Regulamenta a totalização dos votos, os quocientes
eleitoral e partidário e a distribuição das vagas nas eleições proporcionais.
Especialmente arts. 8º a 11. Portal do Tribunal Superior Eleitoral.
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL
(TSE). Conheça as diferenças entre as eleições majoritária e
proporcional. Brasília: TSE, 2024. Explica o sistema proporcional brasileiro,
votos nominais e partidários, quociente eleitoral, quociente partidário e
exigência de votação nominal mínima correspondente a 10% do quociente
eleitoral.
CÂMARA DOS DEPUTADOS.
Cláusula de barreira atingiu sete candidatos do PSL; partido seria o maior da
Câmara. Brasília, 2018. A Câmara registra o caso histórico de Enéas Carneiro,
que recebeu aproximadamente 1,57 milhão de votos em 2002 e contribuiu para a
eleição de outros cinco candidatos de sua legenda, entre eles Vanderlei Assis,
eleito com apenas 275 votos.
CÂMARA DOS DEPUTADOS.
Gastos dos deputados federais — Transparência. Brasília, dados consultados em
2026. Fonte oficial para remuneração parlamentar, verba de gabinete,
secretários parlamentares, CEAP, imóveis funcionais, auxílio-moradia e viagens
oficiais. Em 2026, o subsídio parlamentar informado pela Câmara é de R$
46.366,19 mensais e o limite mensal da verba de gabinete chega a R$ 165.806,07
para até 25 secretários parlamentares.
SVERIGES RIKSDAG —
PARLAMENTO DA SUÉCIA. The members' pay and conditions. Estocolmo.
Fonte oficial sobre remuneração e condições de trabalho dos parlamentares
suecos. O Parlamento esclarece que seus membros não são empregados do Riksdag,
mas possuem uma incumbência recebida dos eleitores, e apresenta as regras
referentes a viagens e acomodações parlamentares.
SVERIGES RIKSDAG —
PARLAMENTO DA SUÉCIA. The members' overnight accommodation.
Atualizado em janeiro de 2026. Detalha o direito a acomodações funcionais para
parlamentares cuja residência se encontra a mais de 50 quilômetros do
Parlamento, incluindo apartamentos com mobiliário básico e instalações para
cozinhar.
VEJA. CASADO,
José. “Você quer dinheiro? Só receberá verba por intermédio do pastor”. 11 fev.
2022. A matéria reproduz declarações do pastor José Wellington Bezerra da Costa
sobre a atuação de pastores na aproximação entre candidatos, prefeitos e
recursos provenientes de emendas parlamentares, bem como seu apelo para a
eleição de candidatos ligados à denominação.
FORBES. ANTUNES,
Anderson. The Richest Pastors in Brazil. 17 jan. 2013. Reportagem que publicou
estimativas de patrimônio de conhecidos líderes evangélicos brasileiros. Os
valores apresentados eram estimativas baseadas em informações disponíveis à
época e não devem ser confundidos com salários pastorais ou com patrimônio das
respectivas igrejas. Alguns dos valores e informações divulgados foram
posteriormente contestados por pessoas mencionadas na reportagem.
INFOMONEY.
VERONESI, Luiza Belloni. Forbes lista cinco pastores mais ricos do Brasil. 18
jan. 2013. Repercussão brasileira do levantamento da Forbes, incluindo as
estimativas, à época, de R$ 1,9 bilhão para Edir Macedo, R$ 440 milhões para
Valdemiro Santiago e R$ 300 milhões para Silas Malafaia, entre outros.
FORBES. Edir
Macedo & family. Perfil atualizado em março de 2026. A publicação continua
apresentando Edir Macedo entre os líderes religiosos de grande patrimônio e
registra, entre seus ativos empresariais, participação na Record e no Banco
Digimais.
MOFFITT, Bob; TESUNAO,
Karla. Se Jesus fosse prefeito: como sua igreja local pode
transformar sua comunidade. Obra utilizada como inspiração para as perguntas
apresentadas na conclusão deste artigo sobre a atuação da Igreja na
transformação de sua comunidade.
Referências bíblicas
utilizadas
Mateus 5:37; Jeremias 9:5;
Provérbios 1:10–16; Isaías 33:15–16; Ezequiel 45:9–10; João 19:11; Romanos
13:1–7; Atos 5:29; Mateus 28:19; Atos 1:8; Isaías 45; Provérbios 31:8–9.