Bem Vindos

Amados


Este é nosso novo endereço na web.

Para dúvidas, sugestões, convites, mande um e-mail para:

leviartisa@gmail.com

Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O INFERNO EXISTE MAS NÃO FOI CRIADO PARA VOCÊ




Eu acredito que existe céu e inferno. O céu é o lugar preparado para receber os que aceitaram Jesus e o evangelho redentor; o inferno para os que rejeitaram. Assim a Bíblia diz e eu creio. Na semana passada li e comentei durante celebração, a entrevista que Rob Bell deu à revista Veja (28/11/2012) com o título “Quem falou em céu e inferno?”. Este escritor norte-americano passou a pregar a salvação para todos os seres humanos no final (universalismo), negando assim a realidade do inferno. Neste ano foi convidado a deixar a igreja que fundou, a Mars Hill Bible Church.Bell é inteligente, carismático, conectado e bom comunicador e tem atraído muitos jovens evangélicos no Brasil, especialmente após o lançamento, no ano passado, de seu livro O Amor Vence e seus vídeos muito bem produzidos da série Nooma.
Confesso que diante do pensamento e posicionamento de Rob Bell na referida entrevista, poucas vezes na minha vida vi uma figura religiosa de prestígio se contradizer tanto em um espaço tão curto. Qualquer evangélico de bom senso, que tenha um mínimo de conhecimento bíblico e que saiba seguir um raciocínio de maneira lógica perguntará o que Rob Bell tem que atrai tanta gente.
Uma das crises dele é com a certeza e a convicção que as igrejas e os evangélicos têm de que após a morte existe céu e inferno. “Vamos pelo menos ser honestos. Ninguém sabe o que acontece quando morremos. Não tem fotografia, não tem vídeo”, declara Bell. Sobre isto o Dr. Augustus Nicodemos fez uma colocação muito simples e realista: “É claro que, por este critério, também não podemos ter certeza se Deus existe ou que Jesus existiu, pois não temos nem foto nem vídeo deles – que eu saiba. Nesta mesma linha, ao se referir ao fato de que acredita que Deus ao final vai conquistar todos, diz “não sei se isso vai acontecer, também não sei o que acontece quando morremos”. Aderir a este ralo pensamento, é caminhar pela desgraça de todo evangelho.
Então, não sabemos o que acontece depois da morte. Mas é aí que começam as contradições de Rob Bell. Ao ser perguntado se Gandhi, que não era cristão, estaria no inferno, ele responde: “acredito que está com o Deus que tanto amou”. Isso só pode ser o céu, certo? A resposta coerente e honesta com seu pressuposto seria “não sei”. Da mesma forma, quando a revista pergunta sobre Hitler, se ele está no céu, Bell responde que Deus deu a Hitler o que ele buscou a vida toda, “infernos para si e para os outros”. E acrescenta: “qualquer reconciliação ou perdão, nesse caso, está além da minha compreensão”. Se esta resposta não quer dizer que Hitler recebeu o inferno da parte de Deus depois da morte, não sei o que mais poderia representar. A resposta coerente e honesta deveria ter sido esta:“não sei”, o que significa dizer que ele admite a possibilidade de Hitler ter ido para o céu.
O mais grave e mais importante é que ele rejeita o ensino de Jesus Cristo nos Evangelhos sobre o inferno e o céu. Se Jesus era a personificação do Deus que é amor – e amor é, para Bell, o mais importante, senão o único atributo de Deus – este é um fato que não pode ser desprezado.
Eis alguns poucos exemplos: Mt 5.22  - Mt 5.29 - Mt 5.30  - Mt 10.28-  Mt 11.23 -Mt 16.18  - Mt 18.9 -Mt 23.15  - Mt 23.33  - Mr 9.43  - Mr 9.45  - Mr 9.47 –Lc 10.15 - Lc 12.5 -Lc 16.23 -Mt 3.12 - Mt 25.41 - Jo 15.6 e Mt 22.13. Abra a sua Bíblia e confira estes textos do evangelho de Jesus.
As referências de Jesus ao inferno, como o castigo eterno dos ímpios, formam reconhecidamente um dos temas dominantes do ensino dele, como pode ser claramente visto nos trechos acima. O que espanta é o uso seletivo que Rob Bell faz das palavras de Jesus. Ele ignora por completo todas as passagens acima em que Jesus fala do inferno, mas se refere à fala dele sobre os sofrimentos físicos.
Se Rob Bell diz que não podemos ter certeza de que o céu e o inferno existem, como ele pode então ter certeza que Jesus pregou sobre o amor e o sofrimento das pessoas neste mundo? Todas essas coisas estão no Novo Testamento. É evidente a interpretação enviesada, preconceituosa e selecionada que ele faz, conservando as passagens que lhe interessam e rejeitando as que o contradizem.
Calvino, Lutero e os demais reformadores criam no inferno e pregavam abertamente sobre ele. Contudo, poucos fizeram tanto para diminuir o sofrimento do ser humano.
O que me espanta também em nossos dias é que para muitos, pouco importa se existe ou não o inferno. Muitos cristãos contemporâneos estão mais preocupados com suas prioridades pessoais, por isso não se importam se alguém de grande visibilidade tenta apagar o que Jesus ensinou.
Caro leitor! O inferno existe sim. É um lugar terrível, como descreve as Escrituras, mas não foi criado para os que amam a Deus. Foi criado para ser o lugar de dor e tormento dos que rejeitaram o amor, a graça e o plano redentor de Deus. Realmente espero que não seja o seu caso.
Pense bem nisso!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Malafaia fala demais!

Amados,

Este texto é tudo o que eu gostaria de falar, ou já falei algumas vezes !!! Assino embaixo !!

Paz

Pr. Leandro
------------------------------------------

Malafaia fala demais!
Os evangélicos, por acaso, estão concordando com as suas opiniões?
Às vezes, acerta. Mas, no volume com que se pronuncia, desconfio que não consiga se lembrar de quando falou demais. Ainda que ninguém tenha perguntado, ele, exaltado, emite suas opiniões, que mais parecem vereditos. É verdade que fala em nome dele mesmo; porém, fica parecendo que acredita piamente que é o grande formador de opinião do rebanho evangélico no Brasil.

O pastor midiático escracha geral no mais puro estilo popularesco. Língua solta mesmo, como a dos seus correspondentes televisivos Wagner Montes (Rede Record), Ratinho (SBT) e José Luiz Datena (Band). O diferencial de Silas Malafaia é que, entre os seus arroubos performáticos, ele cita textos bíblicos para justificar ou legitimar suas falas. Impressiona o quanto é autoconfiante!
Silas Malafaia não suporta abreviaturas: LGBT, Iurd, CGADB, CPAD, PL 122, PNDH, PT etc. Quando se trata de sopa de letrinhas, Malafaia entorna o caldo. O pastor em questão notabiliza-se pela lista extensa de desafetos: Dilma Rousseff, Caio Fábio, Marcelo Freixo, Fernando Haddad, Valdemiro Santiago, Satanás, Marina Silva, Jean Willys, Marco Feliciano e os seus eventuais sucedâneos. Quem atravessa na frente no feroz profeta pode se arrepender, pois Silas Malafaia paga para entrar numa briga e, quanto mais crescem as polêmicas, mais lucra. Quando se trata de osso duro, o Malafaia não é de roer: prefere triturar. Tudo em nome da verdade. É claro!

Na década de 1990, na bancada do programa 25ª Hora, que era veiculado na Rede Record com a direção do pastor Ronaldo Didini, Silas Malafaia ganhou projeção nacional mostrando destreza nas esgrimas verbais. Na década seguinte, já distante da Igreja Universal, dona da emissora e que patrocinava o programa, ele tinha cadeira cativa no debate do Rádio El Shadai da Rádio 93,3 FM do Rio de Janeiro, do grupo de comunicação do deputado federal Arolde de Oliveira (PSD-RJ). Tanto na TV como no rádio, a liderança de Silas Malafaia sempre esteve relacionada com um tipo bem peculiar de apologética.
Rompeu com a Iurd. Rompeu com a Convenção Geral das Assembleias de Deus, a CGADB. Rompeu com as alianças políticas de ocasião (FHC, Lula, Garotinho). Não rompe para sobreviver, mas para crescer. Neste tempo de crescimento, criou o seu mundo com o poder da sua palavra: uma denominação, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, fruto de seu desligamento com a CGADB; um programa de TV diário em rede nacional, o Vitória em Cristo, exibido por três emissoras abertas; a Associação Vitória em Cristo; a gravadora Central Gospel; a editora Central Gospel; e o portal Verdade Gospel.

Olhando para as igrejas evangélicas no Brasil, é o caso de se perguntar: por que a atuação de Silas Malafaia provoca esse emudecimento geral? Os crentes, por acaso, estão concordando com as suas opiniões? Os intelectuais evangélicos comentam à boca miúda, nos seus congressos vazios, os horrores malafalianos – mas não passa disso. Em seus gabinetes, pastores dizem que não concordam com muita coisa que ele faz e fala, mas não vêm a público afirmar isso. Parece que poucos estão dispostos a desautorizá-lo a falar em nome do grupo religioso que eles também representam. Pelo tempo decorrido desde que Silas Malafaia tornou-se o que é hoje, já era para a fase da perplexidade ter passado. A grande mídia evangélica não tem tradição de debate; prefere anunciar produtos a publicar ideias. Quanto aos pastores, perderam a voz ou consentem com o silêncio.

Fico na expectativa de que alguém por perto diga a ele que tamanha exposição gera uma monstruosa vulnerabilidade. Silas Malafaia tem muitos exemplos de quedas monumentais de pessoas que, como ele, partiram para uma superexposição midiática a fim de anunciar Evangelho e acabaram se perdendo: foram longe demais e esqueceram o caminho de volta. Já foi provado que a igreja eletrônica gera mais antipatia do que conversos; enche mais bolsos do que almas; constrói mais celebridades do que gente; reúne mais multidão do que rebanho.
Tomara que, no futuro, este texto soe ridículo. Algo do tipo: devaneios de um recalcado. A esta altura do campeonato, contudo, falo somente por mim: o pastor Silas Malafaia não me representa. Envergonho-me da forma como se dirige aos evangélicos. Envergonho-me das suas grosserias com Bíblia na mão desancando a sociedade brasileira. Envergonho-me das suas inserções políticas em período eleitoral, plantando factoides. Envergonho-me da nossa falta de vergonha em não desautorizá-lo.
Por Dan Martins, para o Gospel+

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Pastores precisam agir como Davi diante de Natã


Para o psicoterapeuta Ageu Heringer Lisboa, líderes evangélicos são vítimas da negligência em relação à própria saúde psíquica.




Qualquer observador do meio evangélico – tanto os "de dentro" quanto os de fora – com um mínimo de isenção sabe que a liderança atravessa um momento de grave descrédito perante a sociedade. Os desmandos de muitos pastores, que se arvoram o direito de gerir as igrejas como extensões da própria casa, e a falta de zelo em manter uma conduta íntegra, são geralmente os caminhos mais curtos para a queda. A crise de integridade que assola o ministério cristão tem causas nem sempre claras, mas seus efeitos estão aí, à vista de todos. O psicólogo e terapeuta Ageu Heringer Lisboa conhece essa realidade de perto. Com experiência clínica de 34 anos, ele tem atendido muitos crentes – e por seu consultório passam também pastores e dirigentes evangélicos. É claro que, por ética profissional, ele não pode pormenorizar casos particulares – mas o quem ele tem visto, em termos gerais, é preocupante. "É um segmento normalmente avesso a buscar ajuda psicológica, por receio de se expor perante os colegas e os liderados", comenta. "Geralmente, os pastores deixam os problemas se acumularem anos e anos, sempre empurrando com a barriga, acreditando que encontrarão a saída sozinhos". Não encontram – e o resultado pode ser devastador, tanto para a vidas pessoal como para o ministério.

Mestre em ciências da religião, escritor e um dos fundadores do Corpo e Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC), Ageu integra a Associação Brasileira de Terapia e Pastoral Familiar e dirige seminários para casais, além de prestar consultoria para grupos ministeriais. Para ele, o episódio bíblico envolvendo o rei Davi e o profeta Natã, que corajosamente denunciou os pecados do monarca, é cada vez mais difícil de se repetir. "Quem aspira ou ocupa posições de comando, junto com os privilégios da posição, deve arcar com o ônus da visibilidade e do lugar que ocupa no mundo das representações sociais", opina o especialista. Ageu Lisboa concedeu a seguinte entrevista a CRISTIANISMO HOJE:

CRISTIANISMO HOJE – Qual a diferença entre integridade e caráter?
AGEU LISBOA – Caráter é o núcleo íntimo da personalidade, um centro irradiador de valores que caracteriza uma pessoa. O caráter expressa uma força espiritual organizadora da psique, uma dada estrutura básica e resistente a mudanças. Quem colocou este assunto no centro de seu sistema de psicologia foi Wilhelm Reich. A estrutura do caráter tem a ver com o "todo orgânico", o biodinâmico marcado pelas vivências prazerosas e por aquelas que causam desprazer; os comandos verbais e condicionadores que recebemos, em especial as mensagens emocionais nos ambientes formativos dos primeiros anos. Já integridade pode ser definida como aquilo que é digno de confiança, que se apresenta completo, sem maquiagem, com o melhor de sua natureza. Aplicados em humanos, seria uma qualidade moral positiva, que faz a pessoa agir segundo a verdade e se orientar com justiça. Não quer dizer.

Então, o que faz uma pessoa ser íntegra?
Ser acolhido e educado num ambiente amoroso e justo é o maior estímulo, sem dúvida. Receber uma formação espiritual em que se aprenda a conviver com limites e partilhas. À medida que deixamos a infância, espera-se que caminhemos rumo a uma maturidade psíquica e política, assumindo plenas responsabilidades por nossa vida. Viver se traduz, assim, por escolhas e respostas que carregam sentidos e valores, gerando efeitos sobre os outros e em nós mesmos. Em todo o tempo, estamos nos comportando ativa ou passivamente. Se somos pouco conscientes, predominará o instinto e o automatismo; então, coisa boa ou má poderá sair daí. Como membros da raça humana, pertencemos a um habitat que gera exigências éticas sobre todos. Não podemos ignorá-las e agir segundo nosso próprio desejo ou vontade particular, desconsiderando outros, pois nem ao menos nos fizemos a nós mesmos – somos construídos e vivemos articulados socialmente, reconhecendo e honrando o laço social. Assim, contribuiremos para a paz e a justiça.

A vida religiosa e o Evangelho, mais especificamente, são uma maneira de se alcançar um nível moral mais elevado?
Não e sim. Religiosos de tempo integral, de todas as religiões, preservam culturas, servem às populações e são depositários de muita confiança popular. Mas têm lá seus problemas. Conventos e seminários não são garantia de santidade nem bondade. O Papa Bento XVI tem assumido a vergonha e a culpa por tantos pedófilos na Igreja Católica. No campo protestante e evangélico, temos também nossos porões obscuros. Centros de tratamento de vítimas de abusos sexuais e violência doméstica têm grande presença de pastores entre os violadores. A religiosidade mal instruída, estreita, moralista e fanatizada é uma praga encontrada nas mais diversas expressões ditas religiosas. Os talibãs, excrescência perversa e sádica no islamismo que aflorou nos anos 1980, e os ultra-ortodoxos judeus, que mandaram assassinar o próprio primeiro-ministro israelense Isaac Rabin, em 1995, são irmãos gêmeos. Pastores que pregam cercos espirituais e desrespeitam ostensivamente cultos afros e católicos seguem na mesma linha. Psicologicamente, tudo isso é uma projeção doentia de sombras do coração, associadas à ignorância cultural. Espiritualmente, o processo revela desconexão com o espírito de Jesus Cristo; e socialmente, é questão para a polícia.

Esse é o "não". E por que também pode ser "sim"?
Por outro lado, o evangelho possibilita a integridade quando seguimos no Espírito de Cristo. Jesus é a expressão da nova humanidade – e o evangelho, tal como expresso nos textos bíblicos, traça o caminho da salvação, da via ética, moralmente superior, marcada pela bondade e justiça. Jesus é uma quase unanimidade, positivamente considerado por filósofos e teólogos de outras religiões e pela maioria dos construtores da psicologia como "homem universal", uma encarnação do ideal ético. Ele mostrou-se bem humorado e sábio ao ensinar, acolheu excluídos; foi forte com os duros, festeiro com os que celebravam. Conhecer a Jesus através das Escrituras, meditando em suas palavras e acolhendo seu Espírito, abre-nos ao grande poder de transformação interior e social de cada pessoa.

Por que líderes e pastores ditos "de bem" são excessivamente cobrados quando cometem um pecado e acabam sendo julgados e execrados – alguns, por toda a vida – pela mesma igreja de que sempre cuidaram?
A natureza do trabalho pastoral em sua acepção bíblica original é a de alguém que vive em comunhão com Deus, é instruído nas Escrituras, tem vocação e preparo para cuidar de pessoas espiritualmente desorientadas e ensinar as Escrituras. Os termos "trabalho pastoral e terapêutico" se assemelham semanticamente, significando "cuidado de almas" ou "cura de almas" – o que traz uma exigência ética específica: a de que se mantenham íntegros, moral e profissionalmente. É compreensível essa cobrança pelo lugar que pastores e líderes ocupam no imaginário popular. Sacerdotes, desde tempos imemoriais, supostamente estão mais próximos da divindade ou conhecem o mundo espiritual. Do mesmo modo, se espera que filósofos, juízes e psicólogos apresentem comportamentos coerentes e moralmente sublimes. A sociedade necessita de referenciais de integridade, precisa encontrar pessoas dignas no meio de tanta bandalheira, imoralidade e corrupção. Quando um líder espiritual incorre num pecado grave, tipo adultério ou falcatrua, isso desperta decepção, revolta e angústia entre seus seguidores.

Isso não seria o tal processo de idealização?
Exatamente. E quanto maior a idealização e até idolatria da figura pastoral, maior a tragédia. Importa considerar que esta idealização da persona pastoral, revestida com uma auréola de santidade, definida como portador de uma unção superior, geralmente é fruto de uma construção conjunta entre o pastor e sua comunidade. O pastor, por necessidade narcísica; a comunidade, por demandar um tipo de "pai" santo. E como os líderes vivem a ensinar os demais, devem se cuidar. Este é o sentido de instruções pastorais que Paulo emprega nas suas cartas a Timóteo e Tito. Quem aspira ou ocupa posições de comando, junto com os privilégios da posição, deve arcar com o ônus da visibilidade e do lugar que ocupa no mundo das representações sociais. O pastor, o líder, está numa posição por demais espinhosa e corre até mais riscos devido ao assédio que recebe. Ele é seduzido com elogios, mobilizado para salvar mulheres com carências afetivas, discipular gente rica e poderosa – e é nestas relações que uma aliança escorregadia pode se estabelecer.

A integridade é uma exclusividade dos salvos em Cristo?
Não! Encontram-se boas pessoas, éticas e bondosas, justas e solidárias, em todos os grupos, mesmo entre os ditos "pagãos". Quem duvida do bom caráter de Mahatma Gandhi, por exemplo? E de madre Tereza de Calcutá? O apóstolo Paulo escreve sobre a revelação de Deus em todo o gênero humano, através da criação e na consciência. Na prática, encontramos pessoas não-evangélicas, mas que receberam boa formação familiar, educacional e ética, que são excelentes cidadãos – gente íntegra, amorosa, verdadeiros exemplos de civilidade e maturidade. E, contrariamente ao que desejamos, temos tantos crentes broncos, mal-formados, imaturos, dando vexame na política, na televisão, com deploráveis deslizes ético-morais... Repete-se então o que Jesus teve de dizer aos que se diziam "filhos de Abraão" e se achavam acima dos gentios e com direitos hereditários ao Reino de Deus. Jesus desmontou essa falácia ao anunciar que os verdadeiros filhos de Deus são os que de todo o mundo o recebem pela fé e passam a segui-lo. O Senhor é tão gracioso que concedeu talentos e potencialidades de bondade para todos, em toda parte.

Mas perante alguns setores, "pastor" virou sinônimo de picareta...
Qualquer observador imparcial do campo religioso brasileiro e com sensibilidade cultural e ética se choca diante desse quadro. O joio cresce junto ao bom trigo e há um descompasso entre o inchaço da presença dos 'crentes' na população do país e a questão ética. Autores, como o professor Mendonça, Paul Freston e Robinson Cavalcanti, já analisaram esse fenômeno. A partir da década de 1950 a configuração do campo religioso sofreu aceleradas mudanças; passaram a predominar as teologias mais subjetivistas e emocionais dos pentecostais. Da periferia do sistema, a pregação evangélica aos poucos chegou às classes médias e à mídia. Sem o mínimo senso de obediência a um coletivo dirigente, por qualquer discordância, alguém se desliga de um grupo e funda o seu próprio. Junto a isso se descobriu uma mina de ouro: insistir em cada culto no recolhimento de imposto religioso. É dito à exaustão que o dízimo é para Deus, que se encontra na Bíblia e que, por isso, é sagrado. No entanto, temos visto muito desse dinheiro ir para o cofre das famílias dos "ungidos". Há uma leitura bíblica mecânica e conveniente ao clero da maioria absoluta das igrejas e grupelhos, que tratam o dízimo – uma ordenança para a Israel dos tempos bíblicos – como lei para hoje, em qualquer circunstância. Essa prática, pouco discutida, na verdade é um tabu que ameaça quem ousa questionar sua validade, o que, por sua vez, é o fator facilitador e atrativo por excelência dos aproveitadores da credulidade popular e fonte de corrupção. Pessoas sem muita instrução, pobres, emocionalmente fragilizadas ou sem maior discernimento são as maiores vítimas. Pastores mauricinhos, que gostam de luxo e viagens ao exterior, mostram que estão possuídos pelo espírito do "capetalismo" e da mentalidade de mercado.

Mas pastores que agem assim são a maioria?
É bom que se diga que os mais de 200 mil pastores evangélicos, ou pelo menos a maioria, são como a população de onde saíram, refletindo sua cultura, vícios e sabedoria. Essa maioria vive com baixos salários, em condições precárias, em meio à violência, sem acesso a saúde, habitação e educação, e nem assim se deixam corromper. O risco maior está com os que buscam os holofotes da mídia, os que desejam a glória de uma grande igreja a seus pés, adeptos do espúrio evangelho da prosperidade – o antigo evangelho de Mamon e Midas.

No romance Crime e castigo, de Dostoievski, o estudante Raskolnikov mata sua idosa senhoria apenas para conhecer o sentimento divino de ser o mestre da vida e da morte. A busca pelo poder também é uma das principais origens das falhas de caráter dos pastores e lideranças cristãs?
O ser humano é naturalmente atraído pelo poder, seja para bajulá-lo e se beneficiar dos favores de quem manda ou para dominá-lo e ser admirado. José, filho de Jacó, quando ainda imaturo, procedeu provocativamente com os irmãos, colocando-se como o centro da família. Lúcifer ambicionou o poder celestial e sua cobiça resultou na primeira queda. Adão e Eva foram tentados justamente com a oferta satânica de poder saber e ser como Deus – ou seja, almejaram o poder por excelência. Por que existem tantas revistas e programas que enfocam o mundo dos ricos e famosos, senão por esta atração fatal que o poder exerce nos incautos e nos conscientemente ambiciosos? E a história humana não é a história do jogo do poder, num darwinismo onde predomina o mais forte? Não é a lógica do mercado materialista? Não é a prática de nações contra nações? É algo de base instintiva, que a Bíblia chamará de carnalidade. Então, é questão que atinge a todos, incluindo pastores. Lidar com esferas de poder é muito importante e necessário, sendo parte da dinâmica social. A questão é manejá-las com ética, com orientação dos valores preconizados por Cristo, que disse: "O meu reino não é deste mundo". Jesus Cristo criticou os dominadores deste mundo e trouxe outra lógica – a do amor ao próximo, a do espírito de serviço, e não o de poder.

Além da má fé, do abuso de poder e outras coisas, falta também preparo bíblico e até emocional a muitos desses pastores?
Sem dúvida. Outras razões para a má fama de pastores e a suspeita pública que recai sobre eles tem a ver com a patente falta de formação bíblica, teológica e emocional da enxurrada de "autoproclamados" bispos, apóstolos e pastores. Em geral, esses líderes dispensaram a incômoda – para eles – e exigente tradição de formação pastoral que percorria o ciclo do despertamento espiritual, da chamada, do preparo bíblico teológico de anos e supervisão. Dizem que é perda de tempo, que o Espírito Santo dá a inspiração necessária... Não se apercebem o quanto de voluntarismo carnal estão tentando santificar. E esse voluntarismo individualista é muito sedutor. Querem um caminho rápido para o poder espiritual. Curioso que ninguém é chamado para servir entre miseráveis; só existe "chamado" para liderar.

O senhor costuma ser procurado por pastores e líderes evangélicos pedindo aconselhamento por conta de pecados e deslizes no ministério?
Eu faço atendimento clínico há 34 anos. Já atendi dezenas de pastores e pastoras, padres, monges, freiras e seminaristas. Monges e padres são indicados por seus formadores, confessores e superiores, hoje bastante abertos à contribuição profissional de psicólogos e psiquiatras. Fomos chamados a conventos e mosteiros para conversações bastante proveitosas sobe a interface fé cristã, saúde psicológica e vocação. O instituto da confissão no âmbito da Igreja ajuda a prevenir o agravamento de problemas. Já os pastores mostram maior medo – alguns chegam escondidos, pedindo anonimato; outros sugerem atendimento em locais alternativos, como restaurantes, devido ao temor de serem vistos por algum conhecido entrando num consultório de psicoterapia. Eles repetem o procedimento de Nicodemus, que buscou Jesus escondido, com medo dos colegas. Trazem queixas parecidas aos de outras pessoas – mas com maior desconforto, pela culpabilidade exacerbada e temor de julgamento até por parte do próprio terapeuta.

Via de regra, quais são as queixas mais comuns?
Geralmente, os pastores deixam os problemas se acumularem anos e anos, sempre empurrando com a barriga, acreditando que encontrarão a saída sozinhos. Quase sempre, dizem não ter confiança em ninguém – daí o motivo de não buscarem ajuda entre colegas, amigos ou familiares. Quando admitem ter amigos ou confessores maduros, têm vergonha de se expor, preferindo manter uma imagem de alguém, digamos, "normal". Essa posição adoece qualquer um, além de ser hipocrisia. Um dia a casa irá cair, pois o reprimido irrompe de formas incontroláveis; daí ser imprescindível e urgente não protelar e buscar ajuda idônea. É preciso parar de jogar para a platéia e viver pela agenda dos outros; há que se respeitar os próprios limites, reconhecer pecados crônicos e, importante, reforçar o anseio pela cura. Assim, virá a libertação de padrões neuróticos. Este é o caminho para a sanidade, que caminha junto com a santidade: o caminho bíblico para um caráter íntegro, santo, saudável.

A resistência de pastores a buscar ajuda psicológica decorre desses fatores?
Para eles, admitir a necessidade de buscar ajuda psicológica ou psiquiátrica é assumir uma derrota inadmissível. É quase uma negação de fé. Só mesmo quando surta alguém da família, a mulher ameaça abandonar o casamento ou um filho se declara gay é que alguns se rendem à evidência de que a onipotência humana não existe. Sem dúvida, pastores e líderes evangélicos, mais do que outras pessoas, se apresentam, em minha experiência, mais resistentes a buscar ajuda psicológica. Vítimas de uma cultura de medo de julgamento por parte de outros, sentem-se cerceados em sua liberdade de ser gente como qualquer outra pessoa. Muitos caíram nessa armadilha da idealização de figuras pastorais como tendo acesso privilegiado a Deus, como entes superiores e com mais forças para resistir a tentações e coisas tais. Há os que estão submetidos a líderes de congregações moralistas e controladores do dinheiro e das idéias. Para saírem desse aprisionamento, esses pastores precisam buscar ajuda externa com profissionais que conheçam e respeitem sua fé.

E o que pode ser feito?
É urgente que se discuta a formação de seminaristas e a consagração de pastores. Temos pastores demais em igrejas confortáveis e centrais, onde se paga mais; e pastores de menos nas periferias e cidades pequenas, bem como nos lugarejos do interior. Encontramos muitos pastores mal formados, auto-investidos, sem supervisão de colegas, sem dedicação a estudos – são obreiros que nem sabem o que é meditação bíblica, e vivem apenas em ativismo religioso. Homens e mulheres hoje montam igrejas com o intuito de viver das ofertas e dízimos arrecadados dos fiéis. São manipuladores do medo das populações, exploradores dos que buscam, angustiados, respostas bíblicas para suas vidas. Quantos não entraram para o ministério atendendo a um impulso juvenil ou um arrebatamento emocional ao redor de uma fogueira ou para cumprir a profecia de alguém? Líderes imaturos, dirigindo comunidades com dezenas ou centenas e pessoas, é algo muito temerário.

A exemplo dos fariseus dos tempos bíblicos, líderes e pastores extremamente legalistas costumam se esforçar mais para camuflar e esconder suas falhas de caráter. Até que ponto isso pode ser prejudicial, sob o ponto de vista espiritual e emocional?
Esses pastores legalistas incorrem num ato falho de compensação psicológica. Eles tentam se convencer de que são puros e intocáveis, acusando os diferentes de hereges, pecadores ou perigosos. Vejam o caso ilustrado por Jesus – enquanto o legalista pecava ao se vangloriar publicamente de não ser como o publicano, este, quebrantado, pedia misericórdia, confessando-se totalmente indigno. Impressiona tristemente saber como setores que se dizem tão apegados à Bíblia são duros, frios, inquisitoriais com os diferentes, com quem é de outra confissão ou religião. São insensíveis socialmente e até impiedosos com os da própria casa. Tragédias familiares, como o suicídio de filhos, divórcio e fugas, têm acontecido em famílias de lideranças rígidas ou fundamentalistas – além, evidentemente, de escândalos sexuais de arrepiar. Isso só vem confirmar o saber psiquiátrico que relaciona obsessivos por limpeza externa a sofrimentos internos de impureza real ou imaginária.

Que personagens bíblicos podem ser apontados como exemplo de gente marcada por problemas de falta de caráter ou integridade?
Bem, os patriarcas Abraão e Jacó cometeram deslizes e mostraram fraquezas. Assim, errando e acertando, dirigindo-se para Deus, alcançaram a estatura de homens de honra. Davi, o rei sábio, pautou sua vida pelo temor ao Senhor – contudo, falhou muito com a família, com os filhos e os amigos. Devemos lembrar que ele abusou do poder e cometeu pecados horríveis. Acontece que ele teve a oportunidade de ser confrontado por Natã, que corajosamente lhe apontou seus erros. O problema é que boa parte dos líderes religiosos são cercados por bajuladores que encobrem seus erros, numa cumplicidade típica de quem não quer perder os privilégios oriundos da proximidade com o poder.

Natã é um bom exemplo de integridade ministerial?
Sim. Pastores precisam agir como Davi diante de Natã. Suas palavras ao rei possibilitaram que este entendesse e reconhecesse seu desvio, pecado e crime. Davi, caindo em si, arrependeu-se e foi curado da alienação. Naquele momento, ele deixou a prepotência; humilhou-se e recuperou sua credibilidade. Seu arrependimento revelou o que se encontrava no núcleo profundo de sua personalidade: um bom caráter. Davi religou-se ao Deus a quem cantara e adorara na juventude, de forma despojada. O resultado é que hoje citamos seus salmos como Palavra de Deus. Ora, se tratamos a Davi com esta benevolência, porque somos tão cruéis e vingativos com irmãos nossos que cometem deslizes leves ou pecados graves? Consideramos o apóstolo Pedro como um homem cheio do Espírito Santo e também ouvimos suas palavras como sendo Palavras de Deus; no entanto, sua biografia é marcada por incidentes, vacilações, ambigüidades e até mesmo a negação e abandono de Jesus. Mas Cristo o reabilitou, chamando-o à consciência e ao amor incondicional. Além disso, Pedro aceitou a disciplina que lhe foi imposta por Paulo, sem guardar ressentimentos – tanto que, em sua segunda carta, trata admiravelmente bem o colega apóstolo, devotando-lhe toda distinção. Esses exemplos mostram o caminho da perfeição. Somos perfeitos no horizonte escatológico na medida em que no dirigimos para o alvo, no caminho da santificação segundo Cristo, o arquétipo do humano.


Fonte: Revista Cristianismo Hoje

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mundanismo na Igreja


Amados,
Mais uma paulada  do meu mentor, Pr. João Antônio de Souza Filho
Divirtam-se.
-------------------------------------------------------
Dezembro de 2012

Permita-me invadir sua página de relacionamento. Afinal, a maioria dos amigos aqui me solicitaram que queriam fazer parte de minha página!
A cada dia fico mais impressionado em como os prazeres do mundo estão minando a vida dos irmãos e roubando o que deveria ser oferecido a Deus. Se algum mártir da igreja ressuscitasse e visitasse a terra nesses dias e pudesse ouvir o que se fala, comenta e se assiste; e visse quais as coisas que ocupam o coração e a mente do povo de Deus diria: Esta não é a igreja de Jesus Cristo.
Como pastor e conectado às redes sociais, ligado o tempo todo on line para poder pastorear e contatar os irmãos – percebo pelas mensagens e conversas o quanto o mundo sutilmente penetrou na igreja. São comentários sobre idas aos estádios, a shows musicais de grupos não cristãos, a peças teatrais e a divertimentos mundanos.
Os templos dos deuses são mais frequentados pelos membros da igreja dos que os “templos” de Deus. (Sei muito bem que o verdadeiro templo são os membros do corpo de Cristo, e o não o prédio). Não quero me assemelhar a Tertuliano, um dos pais da igreja que escreveu “Espetáculos” mostrando como no terceiro século a igreja já havia se desvirtuado de seu principal objetivo, ser povo de Deus.
 
 1. Os grandes estádios de futebol são agora o templo do deus do futebol. Recentemente com a inauguração da Arena Grêmio em Porto Alegre, um estádio de primeiro mundo percebi como a agitação tomou conta dos crentes nas redes sociais. Semelhantemente os torcedores do Internacional, os cristãos frequentadores de igreja adoram mais seu time que a Deus, e ambas as torcidas preferem ir a um jogo de futebol a um culto da igreja.
 
2. As torcidas de todos os times de futebol do Brasil – incluindo os crentes em Cristo Jesus – vibram mais por seus times do que pela salvação em Cristo Jesus. Expressões de “eu te adoro” são ouvidas nos estádios de futebol, e cada dia menos ouvidas na igreja.
 
3. Nas mensagens sociais os membros das igrejas – pelo menos os meus seguidores – postam mensagens de apoio a shows do mundo pop e sabem na ponta da língua as músicas internacionais dos cantores de rock, mas não os hinos da igreja.
 
4. Os crentes gastam mais com entradas para shows mundanos do que com ofertas para a expansão do reino de Deus. As peças teatrais – com ingressos caríssimos – são mais apelativas aos membros abastados da igreja do que os cultos de domingo a noite.
 
5. E que dizer das festas de fim de ano? Elas refletem bem como anda a igreja. Os crentes aderiram ao demônio do Papai Noel que roubou a cena do Natal de Cristo, e vê-se o “velhinho” ornando as portas e janelas das casas dos irmãos. Este velhinho demoníaco criado por Satanás para abafar a mensagem da encarnação não deveria jamais entrar nos lares cristãos.
 
6. Acrescente-se a essas coisas o espírito mundano que tomou conta até mesmo das férias das famílias cristãs. Para muitos, o tempo de férias é de desligamento total de tudo o que diz respeito a igreja; tempo em que tudo é permitido. Parece que a vida da igreja só retorna depois do carnaval. E tem igrejas que cancelam programações no verão.
E este espírito do mundo sutilmente está roubando o amor a Jesus Cristo. Sim, porque quando as coisas do mundo ocupam o primeiro lugar é sinal de que Jesus Cristo já não é o Primeiro em nossas vidas.
 
7. Percebi o quanto isto se tornou verdade num jantar da ADONEP anos atrás. Ora, participei de jantares e cafés da manhã nos Estados Unidos na década dos anos de 1970 em que, depois do jantar e do café havia pregações com ministrações de salvação, cura e enchimento do Espírito Santo. Mas, as reuniões daqui – que estão definhando – se tornaram passarela de moda, glamour e reuniões frias em que o Espírito Santo não tem oportunidade alguma de se manifestar para fazer a obra que lhe compete. Não existe mais diferença entre um almoço do Lyons ou do Rotary com os jantares da ADONEP.
 
8. Não estou me posicionando contra festas ou programações culturais na igreja – afinal o Espírito Santo usa as culturas para glorificar a Jesus – mas contra o espírito do mundo que aos poucos vai tirando Jesus de cena e colocando no palco outros deuses que são indiretamente adorados. Toda programação da igreja, sejam peças teatrais, danças e quaisquer manifestações cujo holofote não foca em Cristo está sob suspeita de mundanismo.
 
Entre esses “deuses” que hoje são adorados estão alguns cantores pop de shows gospels, além de pregadores rasos especializados em tocar as emoções das pessoas. O leitor sabe a que me refiro: O mundo sutilmente foi entrando nas programações da igreja, na mente e no espírito dos crentes deixando as reuniões mais divertidas e agradáveis, e Jesus deixou de ser Senhor e Rei. Aliás, ele é Senhor e Rei apenas nos cânticos e da boca pra fora.
Quando o Filho do Homem voltar encontrará fé na terra? Sim. Encontrará muita fé, mas uma fé diluída, pervertida e destituída da verdade.
Até a próxima!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Cinco principais arrependimentos de pacientes terminais

Amados,

Li este texto e achei muito interessante. Reflitam sobre a vida agora, enquanto dá tempo.

Paz

Pr. Leandro
----------------------------------------

Recentemente foi publicado nos Estados Unidos um livro que tem tudo para se transformar em um best seller daqueles que ajudam muita gente a mudar sua forma de enxergar a vida. The top five regrets of the dying (algo como “Os cinco principais arrependimentos de pacientes terminais”) foi escrito por Bonnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da morte.




Para analisar a publicação, o Hospital de Albert Einstein convidou a Dra. Ana Cláudia Arantes – geriatra e especialista em cuidados paliativos do centro médico – que comentou, de acordo com a sua experiência no hospital, cada um dos arrependimentos levantados pela enfermeira americana. Confira abaixo.



1. Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim

“À medida que a pessoa se dá conta das limitações e da progressão da doença, esse sentimento provoca uma necessidade de rever os caminhos escolhidos para a sua vida, agora reavaliados com o filtro da consciência da morte mais próxima”, explica Dra. Ana Cláudia.



“É um sentimento muito frequente nessa fase. É como se, agora, pudessem entender que fizeram escolhas pelas outras pessoas e não por si mesmas. Na verdade, é uma atitude comum durante a vida. No geral, acabamos fazendo isso porque queremos ser amados e aceitos. O problema é quando deixamos de fazer as nossas próprias escolhas”, explica a médica.



“Muitas pessoas reclamam de que trabalharam a vida toda e que não viveram tudo o que gostariam de ter vivido, adiando para quando tiverem mais tempo depois de se aposentarem. Depois, quando envelhecem, reclamam que é quando chegam também as doenças e as dificuldades”, conta.



2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto

“Não é uma sensação que acontece somente com os doentes. É um dilema da vida moderna. Todo mundo reclama disso”, diz a geriatra.



“Mas o mais grave é quando se trabalha em algo que não se gosta. Quando a pessoa ganha dinheiro, mas é infeliz no dia a dia, sacrifica o que não volta mais: o tempo”, afirma.



“Este sentimento fica mais grave no fim da vida porque as pessoas sentem que não têm mais esse tempo, por exemplo, pra pedir demissão e recomeçar”.



3. Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos

“Quando estão próximas da morte, as pessoas tendem a ficar mais verdadeiras. Caem as máscaras de medo e de vergonha e a vontade de agradar. O que importa, nesta fase, é a sinceridade”, conta.



“À medida que uma doença vai avançando, não é raro escutar que a pessoa fica mais carinhosa, mais doce. A doença tira a sombra da defesa, da proteção de si mesmo, da vingança. No fim, as pessoas percebem que essas coisas nem sempre foram necessárias”.



“A maior parte das pessoas não quer ser esquecida, quer ser lembrada por coisas boas. Nesses momentos finais querem dizer que amam, que gostam, querem pedir desculpas e, principalmente, querem sentir-se amadas. Quando se dão conta da falta de tempo, querem dizer coisas boas para as pessoas”, explica a médica.



4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos

“Nem sempre se tem histórias felizes com a própria família, mas com os amigos, sim. Os amigos são a família escolhida”, acredita a médica. “Ao lado dos amigos nós até vivemos fases difíceis, mas geralmente em uma relação de apoio”, explica.



“Não há nada de errado em ter uma família que não é legal. Quase todo mundo tem algum problema na família. Muitas vezes existe muita culpa nessa relação. Por isso, quando se tem pouco tempo de vida, muitas vezes o paciente quer preencher a cabeça e o tempo com coisas significativas e especiais, como os momentos com os amigos”.



“Dependendo da doença, existe grande mudança da aparência corporal. Muitos não querem receber visitas e demonstrar fraquezas e fragilidades. Nesse momento, precisam sentir que não vão ser julgados e essa sensação remete aos amigos”, afirma.



5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz

“Esse arrependimento é uma conseqüência das outras escolhas. É um resumo dos outros para alguém que abriu mão da própria felicidade”.



“Não é uma questão de ser egoísta, mas é importante para as pessoas ter um compromisso com a realização do que elas são e do que elas podem ser. Precisam descobrir do que são capazes, o seu papel no mundo e nas relações. A pessoa realizada se faz feliz e faz as pessoas que estão ao seu lado felizes também”, explica.



“A minha experiência mostra que esse arrependimento é muito mais dolorido entre as pessoas que tiveram chance de mudar alguma coisa. As pessoas que não tiveram tantos recursos disponíveis durante a vida e que precisaram lutar muito para viver, com pouca escolha, por exemplo, muitas vezes se desligam achando-se mais completas, mais em paz por terem realmente feito o melhor que podiam fazer. Para quem teve oportunidade de fazer diferente e não fez, geralmente é bem mais sofrido do ponto de vista existencial”, alerta.



Dica da especialista

“O que fica bastante claro quando vejo histórias como essas é que as pessoas devem refletir sobre suas escolhas enquanto têm vida e tempo para fazê-las”.



“Minha dica é a seguinte: se você pensa que, no futuro, pode se arrepender do que está fazendo agora, talvez não deva fazer. Faça o caminho que te entregue paz no fim. Para que no fim da vida, você possa dizer feliz: eu faria tudo de novo, exatamente do mesmo jeito”.



De acordo com Dra. Ana Cláudia, livros como este podem ajudar as pessoas a refletirem melhor sobre suas escolhas e o modo como se relacionam com o mundo e consigo mesmas, se permitindo viver de uma forma melhor. “Ele nos mostra que as coisas importantes para nós devem ser feitas enquanto temos tempo”, conclui a médica.

FONTE: http://www.carlosbezerrajr.com.br/blog/?p=475