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sábado, 6 de janeiro de 2018

Porque as pessoas saem de uma igreja?



Este é um daqueles artigos que você reluta tanto para escrever, pensando em não magoar ninguém, não mandar recados indiretos ou mesmo não se estressar de tanto ficar pensando nisso. Mas nenhuma dessas atitudes deve ser impedimento para um pastor que se importa com a obra de Deus e com o rebanho do Senhor. Um pastor que não é perfeito, mas trabalha e torce para que suas ovelhas amadureçam, crescendo na graça e no conhecimento do Senhor.
O fato é que atualmente o trabalho pastoral tem sido confundido com gestão de pessoas, administração e coaching. Mas nada tão longe da verdade. O pastor de igreja, vocacionado para orar e ministrar a Palavra de Deus de forma expositiva e contextualizada para uma congregação local semanalmente, apesar de estar com uma vida cada vez mais complicada nos dias atuais, ainda é uma pessoa chamada por Deus para expressar a vida de Jesus para sua comunidade e para a cidade onde foi plantado.
Mas isso não tem sido o suficiente para que as pessoas permaneçam em uma igreja. Elas saem. Elas abandonam uma igreja local e se filiam a outra. Outros fazem pior: saem da igreja e não retornam, ficando na condição que popularmente se nomeia “desviado”. Mas porque isso acontece? Porque simplesmente as pessoas não permanecem perseverantes e continuam a servir a Deus? Porque atualmente a estatística de pessoas que abandonam a igreja institucional para viver uma fé individualizada está aumentando cada vez mais?
Via de regra quando isso acontece o primeiro a ser cobrado é o pastor. Porque as pessoas saíram? O senhor não foi atrás? Porque não impediu que saíssem? Esta atitude provoca reações diversas na vida do pastor. Já vi colegas meus dizerem que oram para que algumas pessoas saiam de sua igreja. Outros se descabelam e imploram para as pessoas não saírem. Outros amaldiçoam dizendo que se a pessoa sair não será feliz e não estará fazendo a vontade de Deus em outro ministério. Alguns ainda distribuem cargos e títulos para agradar as pessoas e elas não pensarem mais em sair dali. E outros como eu, que após uma conversa franca e adulta sobre o assunto, e ao constatar que a pessoa não deseja mais estar na igreja local que fazemos parte, ora e abençoa tais irmãos, torcendo para que continuem sua caminhada cristã em outra igreja e que continuem servindo a Deus. Aprendi em meu ministério que é preciso deixar as pessoas partirem e serem responsáveis por suas próprias decisões. Aliás, a igreja não é minha, é de Jesus. E quando uma pessoa sai da comunhão, não está me desagradando. O primeiro a ser desagradado é o próprio Jesus.
A princípio parece algo insensível e duro. Parece que ao deixarmos alguém partir não estamos nos preocupando com a pessoa ou com a igreja. Mas isso não é verdade. A questão é que a igreja é formada (ou deve ser) de pessoas que voluntariamente estão em comunhão uns com os outros pela fé em Cristo que lhes é comum. Estão servindo a Deus em uma igreja local utilizando seus dons e talentos para a glória de Deus e o serviço aos irmãos e à comunidade. Estão ali por causa de Cristo, e não por causa de pastor. Se algo além de Jesus está segurando alguém em participar de uma igreja, há algo errado. Se isso de alguma maneira é imposto ou feito com um sentimento de obrigação, mais hora, menos hora os problemas virão à tona. E a primeira reação é a de sair daquele local. O ser humano é assim. Ele corta laços, ele desiste, ele abandona. É mais fácil começar de novo do que consertar. Mas será que é isso que Deus pensa sobre sua igreja?
Para evitar tudo isso muitos pastores assumem uma postura a fim de impedir que as pessoas saiam. Alguns são controladores e centralizadores mandando em tudo na vida da ovelha sem deixar tempo pra que ela respire ou pense por si só. Outros estabelecem um calendário de programações e eventos tão grande para que os membros participem enfeitando com cores e títulos afirmando que isso é a vontade de Deus e que a igreja está crescendo. Quando não os ameaça se não estiverem presentes em tal programação. Alguns ainda assumem uma postura espiritual e julgam os irmãos que não estão presentes nos cultos e eventos dizendo que estão em pecado ou realizando algo que não é da vontade de Deus. Para um pastor assim é inadmissível alguém faltar em um culto para ficar com um filho doente, ou passear com a família após muitas semanas de trabalho sem folga. É um controle total que exercem que sufoca. Algumas ovelhas aceitam e se submetem. Hoje em dia a maioria não aceita e busca outro lugar em que não se sintam tão acuados.
As responsabilidades neste assunto são variadas. Hora é do pastor, hora é da ovelha. Hora é porque algo está errado, hora é porque algo está certo. Hora é porque eu gostaria que as coisas funcionassem assim, hora é porque eu não gostaria que as coisas funcionassem assim. E o inevitável acontece. As pessoas saem da igreja.
Vamos tentar alinhar alguns pontos aqui para refletirmos mais sobre o assunto.
1-) As pessoas saem da igreja quando o discurso é duro
Jo 6:66-67Daquela hora em diante, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e deixaram de segui-lo. Jesus perguntou aos Doze: "Vocês também não querem ir? "
- No capítulo 6 do livro de João, Jesus afirma que é o pão da vida que desceu do céu. Ele faz uma semelhança e uma diferenciação entre o maná que caiu do céu no deserto para o povo de Israel matar a fome e a sua vinda a este mundo para nos dar sua carne para comer e espiritualmente vivermos para sempre. No versículo 60 os discípulos já estão comentando entre si: “Duro é este discurso, quem pode suportá-lo?”. Então após falar mais um pouco ainda, Jesus afirma o texto acima: “Vocês também não querem ir?”.
                A sensibilidade hoje em dia está a flor da pele. Temos que pisar em ovos e pensar mil vezes antes de falar algo. Até o uso das palavras precisa ser bem pensado. Antes fosse para melhor se expressar. Temos que tomar cuidado com o que falamos para não ofender as pessoas. Uma simples palavra pode dar uma conotação totalmente diferente do que gostaríamos, dependendo de quem a ouve e de como a ouve.
                O evangelho não tem meias palavras. O conteúdo do evangelho está repleto de palavras duras que exigem uma resposta. Pecado, arrependimento, conversão, obediência, vontade de Deus. São estas e outras palavras que o evangelho contém que ferem os ouvidos de muitos ouvintes hoje. Paulo já alertava a Timóteo:
2Tm 4:3-4Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos.
                Jesus sabia disso e alertou seus discípulos. Será que Jesus estava sendo insensível? Não ligava para seus discípulos? Não se importava com a obra de Deus e estava sendo muito duro? Podemos realmente afirmar que nosso mestre e salvador é culpado dessas acusações? Não! O evangelho é duro e exige resposta, decisão e transformação. É verdade que ele ofende e machuca. Mas isso porque o primeiro a ser ferido foi o próprio Deus, por causa de nossos pecados. Jesus também foi ferido e morto por causa dos nossos pecados. Então se o discurso é duro demais, é porque a ofensa foi dura demais. E a igreja é agência propagadora dessa verdade, a única capaz de mudar a vida do homem. Se ela não vem com açúcar, infelizmente você terá que engolir amargo e seco. É simples assim.
                Sair da igreja porque o discurso é duro, é procurar sarna pra se coçar e rejeitar o verdadeiro evangelho, indo atrás de palavras doces e sensíveis. Parafraseando a Jesus: “Vocês também não querem ir?”.
2-) As pessoas saem da igreja quando a liderança perde a credibilidade
                John Maxwell é um autor de livros de liderança que tem influenciado e formado milhares de líderes ao redor do mundo. Sobre credibilidade ele diz: “Credibilidade é como trocado no bolso do líder. Quando a confiança do líder é bem vista, ele ganha trocados. Quando ele perde a confiança de seus liderados, tem que dar trocados para reavê-la. É preciso tomar cuidado para não ficar sem trocados no bolso”.
                Muitos líderes e pastores acham que fazem tudo sozinho. Que são indispensáveis à igreja e sem eles as coisas não andam. Alguns são centralizadores, como já foi mencionado, e controlam tudo e todos. Neste sentido o pastor pode até estar com boas intenções e quer ver a igreja crescer e os irmãos serem abençoados. Mas por outro lado acabam errando muito para tentar manter essa posição. E então prometem e não cumprem. Falam e desfalam. Afirmam e depois negam. Geram expectativas e depois as frustram. Isso é fatal para a perda da credibilidade. A maioria das pessoas sai de uma igreja quando isso acontece. Alguns ficam pra ver onde tudo vai dar e esperar o pastor sair.
                A questão principal é que na igreja tudo é coletivo. Sempre existem mais pessoas envolvidas. E quando pessoas estão envolvidas, interesses e pensamentos diferentes acabam surgindo. Para lidar com isso o pastor precisa de tempo, jogo de cintura, amabilidade e persuasão para fazer com que seja entendido e que a igreja vá na direção que ele acha o mais correto. Sem forçar e sem ameaçar. Explicando a necessidade e orientando e treinando para que todos possam enxergar o que ele está enxergando. A maioria dos pastores peca aqui e quando não são ouvidos ou entendidos partem para as ameaças. E ao chegar nisso perdem a credibilidade e o apoio das pessoas que poderiam ser abençoadas e acompanhar o pastor em sua visão.
                O pastor ou o líder precisa fazer as coisas com calma e paciência se deseja que muitas pessoas o acompanhem em sua caminhada. Isto leva tempo, exige investimento e perseverança. Mas o resultado final é que a credibilidade vai aumentar. E melhor: as pessoas ao invés de saírem da igreja, trarão outras para participarem também.
3-) As pessoas saem da igreja quando a igreja não é mais seu quintal
                Existem muitos irmãos que se esforçam, fazem o melhor e investem tempo e dinheiro na igreja local que fazem parte. São heróis anônimos, trabalhando nos bastidores e ajudando o pastor a realizar a vontade de Deus. Estes devem ser honrados e celebrados sempre que possível. Mas existem alguns na igreja que pensam que a igreja é seu quintal. O quintal em nossa casa é onde colocamos as nossas coisas e fazemos do nosso jeito. Deixamos lá o que queremos e tiramos de lá o que não queremos. Assim alguns veem a igreja. É o seu quintal.
                Os eventos e programações só podem ser na data e hora que eles podem ir. O que foi programado na igreja só poderá acontecer se ele concordar. Se ele não fizer parte da comissão ou da liderança de tal coisa, esta não dará certo e ele será oposição o máximo possível. Esta atitude é tão prejudicial à saúde da igreja que vai contaminando um por um, como um vírus.
                Se estão em uma igreja que se submete a isso, onde o pastor não direciona a igreja e deixa os membros tomarem todas as decisões pela maioria, estes irmãos ficam na igreja e até investem tempo e dinheiro. Mas quando o pastor começa a colocar uma visão, uma orientação diferente da que eles acreditam que deve ser o certo, a resistência começa. Se o pastor bater o pé e continuar seguindo em sua visão, eles serão oposição. No fim das contas das duas uma: ou o pastor sai da igreja, ou estes irmãos saem.
4-) As pessoas saem da igreja à procura do que lhe satisfaz, o que não encontrou aqui
                O conceito de membresia está ultrapassado. São poucas as igrejas que ainda se preocupam em quantos membros estão no rol de membros, quem ainda não é batizado e quem precisa ser aceito como membro. Isto ficou para trás. Hoje as campanhas fazem parte da maioria da programação e os líderes dão ênfase para isso. Se a pessoa está indo no culto, participando e ofertando, ok. Mas se poucas pessoas estão indo aos cultos e participando das campanhas há uma preocupação em ir atrás e fazer tudo para que mais pessoas venham.
                Para isso vale tudo. Principalmente dar aquilo que o povo quer. Existe um tipo de crente que vai atrás das campanhas, dos cantores, dos pregadores, como material de consumo. Ele vai onde mais lhe agrada não importa onde é ou quanto precise gastar. Se uma coisa lhe traz satisfação, a pessoa vai. Existe até um público que gosta de mensagens mais ácidas, de pregadores que pregam bravos e vociferando juízo de Deus para a igreja. E pagarão o que for necessário para ir atrás, comprar livros e participar de eventos de tais pessoas.
                Por causa disso a frequência em muitas igrejas é rotativa. Se faz campanha a igreja lota. Se faz estudo bíblico ela esvazia. Se faz show gospel a igreja lota. Se faz culto de oração ela esvazia. Se traz uma celebridade para testemunhar a igreja lota. Se deixa o irmãozinho contar que Jesus o curou da pneumonia, a igreja esvazia. Se o estudo é sobre Finanças ou Prosperidade, a igreja lota. Se é sobre o livro de Romanos, a igreja esvazia. É triste, porém verdadeiro.
                Este assunto é indigesto e difícil como já disse no início. O que fazer para evitar que as pessoas saiam? Penso que a resposta a esta pergunta é uma obsessão para muitos pastores e líderes. Alguns fazem até gol de mão para fazer isso parar. Os fins podem justificar os meios quando o assunto for quantidade de pessoas, porque para alguns a quantidade de pessoas significa quantidade de valores de oferta que podem entrar. E se este for o alvo, o objetivo de algum líder, ele vai com certeza se empenhar nisto e deixar todo o resto para trás.
                Mas existe resposta? Os pastores e líderes que trabalham bem, seguem o que a Bíblia diz, oram e amam sua igreja, não podem também desejar que as pessoas não saiam de suas igrejas? É claro que sim. Aliás, é o que eles fazem. Nenhum pastor ou líder em sã consciência deseja que pessoas saiam. Quero citar uma frase do livro de Richard Baxter, “O Pastor Aprovado”. Este livro é um dos mais famosos a respeito do pastoreamento, sendo indicado até por Charles Spurgeon. Ele diz:
“Se eles se ausentarem das suas reuniões particulares, vão atrás deles e fiquem entre eles constantemente – o mais que puderem. Repreendam com suavidade a ilegitimidade daquilo que estão fazendo, mas lhes garantam que estão dispostos a ouvir o que têm para dizer”.
                O conselho de Baxter vai contra a teologia pastoral da atualidade. Primeiro que muitos pastores não vão atrás de ovelhas que estão se ausentando. Muito menos desejam ficar entre eles constantemente, como ele afirma ser necessário. Afinal de contas, se estão faltando é porque não querem estar em nosso meio. Outro ponto neste conselho é repreender com suavidade. A teologia pastoral moderna ensina que repreender sim, mas suave não! São famosos os pastores que “descem o cajado”, frase no jargão evangeliquês que significa pregar de forma ácida e ríspida, atacando os pecados e comportamentos das pessoas. A última parte do conselho de Baxter é que os pastores devem estar dispostos a ouvir o que as pessoas têm a dizer. Isso significa ouvir as desculpas ou justificativas do quê fazem, do porquê fazem. Bem, nesta parte qualquer pastor está saturado de ouvir desculpas para a ausência em cultos, eventos, programações ou qualquer compromisso na igreja que alguém falte. Mas a diferença é que alguns pastores não querem ouvir ninguém, pois não tem paciência e nem sensibilidade para verificar o que está acontecendo com as ovelhas. Mas a verdade é que mesmo que algum pastor mostre toda paciência e sensibilidade sugeridas por Baxter, pessoas ainda sairão da igreja.
                Bem, penso que não existe resposta pronta para a pergunta título deste artigo. As pessoas saem da igreja. E saem porquê? Porque sim. Porque querem. Às vezes usando desculpas e justificativas para sair. Outras vezes simplesmente saindo e abandonando ministérios, cargos e relacionamentos. E o pastor, o que deve fazer? Deve ter consciência que as ovelhas não são suas, são de Jesus. Se elas saem de sua igreja e vão para outra, elas continuam sendo ovelhas de Jesus. Apenas mudaram de aprisco. O pastor deve ter certeza que fez o máximo possível para não ser o motivo da saída delas. Mas se for, que ele peça perdão e seja sincero em seu desejo de que as pessoas fiquem. Se elas saírem e voltarem para o mundo, sem congregar em nenhuma igreja local, o pastor pode chamá-los de volta ou insistir para que eles escolham alguma igreja para congregarem. Mas se não quiserem, o que fazer?
Mas não deve perder o sono por causa disso. Não deve brigar com sua esposa ou ficar mal humorado porque recebeu famílias em seu gabinete pedindo a benção para irem para outro ministério. O pastor deve permanecer firme em seu posto, na igreja onde serve e continuar pregando a Palavra de Deus. E se receber alguém dizendo que quer sair da igreja, deve colocar a mão na cabeça deles e orar:

"O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te conceda graça; o Senhor volte para ti o seu rosto e te dê paz. Números 6:24 a 26.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017




A  amnésia seletista (ou seria hedonista?)

            Estive alheio a toda essa discussão que se deu nas redes sociais, por pura falta de tempo. Apesar disso, agora que deu um tempinho comecei a ler os comentários, posts e notícias que se seguem ainda hoje. Posso resumir que na maioria dos casos, só há 2 posições. A posição daqueles que condenam o acontecido e julgam sem dó e piedade, sem demonstrar nenhuma misericórdia; e a posição daqueles que dizem que não se deve julgar, todos nós pecamos e não podemos atirar nenhuma pedra. Segue-se artigos de misericórdia e testemunhos sobre como a igreja é cruel e não sabe tratar estes assuntos e blá blá blá.
            Não quero parecer o dono da verdade, pois não sou nem pretendo ser. Mas penso que este acontecimento traz à tona uma questão que sempre esteve lá no fundo. Uma base da nossa fé que aos poucos se foi perdendo e agora parece que está totalmente esquecida: A RENÚNCIA. Jesus disse:
Então Jesus disse aos seus discípulos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Mateus 16:24
            O texto é bem claro. Jesus afirma que deseja ter discípulos, pessoas que o acompanhem. Mas para isso ele coloca requisitos, para não dizer exigências. Uma delas é NEGAR-SE si mesmo, ou seja, renunciar nossos desejos, vontades e prazeres para nos dedicar a fazer a vontade dEle. Esta é a nossa essência. O verdadeiro significado de ser cristão. Por isso ele continua dizendo que quem faz isso, deve TOMAR a sua cruz e seguí-lo. Se somos cristãos, duas coisas devem fazer parte constante da nossa vida: Renúncia e dificuldades.
            Antes que alguém comece a me julgar e achar que estou pregando um evangelho de derrota ou pessimismo, é melhor esperar um pouco. Sabemos que a palavra “Cristão” significa “pequeno cristo, semelhante a cristo”. Logo, se somos cristãos somos semelhantes a ele em tudo o que viveu. Esta deve ser a prática e busca de nossas vidas.
            Apesar de Deus nos abençoar, nos prosperar e desejar nossa felicidade, isto não significa que essas coisas devam ser o único propósito de nossa vida. Buscar felicidade não é o propósito de Deus para o crente. Mas sim buscar realizar a vontade dEle, que é boa, perfeita e agradável, assim vamos ser felizes, pois sabemos que Deus tem o melhor para nós.
            Dito isso, é preciso afirmar também que é óbvio que a vida não é um mar de rosas. Existem dificuldades. Temos limites. Pecamos e erramos. Mas nada disso pode ofuscar a vontade de Deus para nós. Ou seja, a renúncia é a tônica nesta relação divino-humana. Mesmo que doa, mesmo que haja perda, mesmo que haja tristeza. O problema é que só vemos a mão de Deus quando ele nos dá, semelhante aos discípulos de Emaús que só perceberam que o homem ao seu lado era Jesus só quando ele partiu o pão e os deu.
            Então é preciso dizer ainda que se a renúncia é a base da vida cristã, o cônjuge cristão mesmo que esteja decidido em se separar, não fará. O cristão que está depressivo, mesmo que esteja desanimado e não queira mais viver, se levantará mais uma vez. O indivíduo que uma vez foi alcóolatra, mesmo que esteja doido para tomar um gole, não tomará. O ex-viciado ou o abstinente, que esteja sentindo tonturas de vontade de fumar um baseado ou se drogar, não o fará. A pessoa com pensamentos suicidas, com todas suas razões e pensamentos para tirar sua vida, dirá não pela milésima vez e continuará vivo. Tudo isso porque? POR AMOR A CRISTO!!! Se essa é a cruz de alguns de nós, carreguemos e sigamos em frente, pois Jesus não prometeu facilidades nesta terra. Ele nos prometeu o Paraíso no Céu.
            Será que não é exatamente isso que está acontecendo conosco? Não é uma questão de julgar ou não julgar. Ser misericordioso ou não ser. A questão é que sofremos dessa amnésia hedonista, e só fazemos aquilo de que gostamos, que nos dá prazer e nos faz felizes. Essa amnésia nos fez esquecer que somos cristãos e que devemos renunciar. Essa amnésia nos diz que somos um homem/mulher que tem o direito de ser feliz no casamento, então posso me separar se não estou contente. Estou sofrendo e tenho direito de ficar na cama. Estou com vontade de tomar um gole ou me drogar, então vou fazer só para relaxar. Tenho vontade de me matar, então é isso que devo fazer. E ninguém tem nada com isso. Será? Até quando?
            Que busquemos tomar o remédio certo para nos curarmos dessa amnésia hedonista e voltarmos a ser cristãos, a viver os primeiros dias, o primeiro amor. Como todos, eu também tenho meus erros e falhas e também sofro dessa amnésia. O que talvez esteja acontecendo comigo agora é que estou admitindo que sofro disso também e abandonei esta eterna polarização entre julgamento e misericórdia. Você admite?
Encerro com as palavras do apóstolo para seu pupilo:

Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”. Tito 2:11 a 13